Tem algumas situações na vida que merecem uma segunda, terceira, quarta e mais algumas chances, pois numa delas, corre-se o risco de acertar.
E ir à Amsterdam foi uma dessas situações.
Quando estivemos lá em dezembro, saí sem a mínima vontade de voltar. O tempo estava feio, chovendo, muito frio e não tínhamos programado e comprado ingressos antecipados para nenhum museu. Ou seja, tinha tudo para dar errado e claro que deu. Fizemos uma passagem de 36 horas por lá e a vontade era de sair correndo e continuarmos nossa viagem rumo a Berlim.
Como já escrevi um outro post sobre essa viagem, não me alongarei nesses detalhes.
Mas fiquei com a vontade de tirar essa má impressão. Afinal algumas pessoas amigas me falaram tão bem, e me disseram que não gostei por que não fiz nenhum passeio interessante e que a cidade era mais que uma reunião de jovens a procura de diversão e viagens.
Com esse desejo escondido no fundo, mas bem fundo mesmo, do coração, num belo dia minha filha diz que gostaria de visitar o museu do Van Gogh. Pronto! Juntou a fome com a vontade de comer.
Se minha filha diz que quer conhecer um lugar, já começo a procurar como chegar lá, afinal quero que ela volte para o Brasil com a maior bagagem cultural possível. E vamos combinar, visitar o museu do Van Gogh, com suas obras originais, sua história e uma bagagem e tanto.
E eu queria muito ir na casa onde viveu e se escondeu Anne Frank. Quem nunca ouviu falar dessa garotinha judia que viveu 2 anos escondida dos nazistas juntamente com sua família e escreveu um diário contando sua curta vida?
Eu estava louca para ir. E na primeira viagem, ninguém quis me acompanhar nessa visita, então mais um motivo de dar uma segunda chance para Amsterdam.
E assim fizemos.
Fomos somente eu e minha filha nessa aventura.
E foi aventura mesmo, pois fomos de ônibus, para fazermos um bate e volta.
Sair na sexta à noite, chegar sábado de manhã, andar, andar e andar pela cidade e voltar à noite no ônibus que chegaria a Londres no domingo de manhã.
Cansou? Nós também!
Mas olha, posso te falar uma coisa? Faria isso de novo e de novo, quantas vezes fossem necessárias.
Amei!
Amei a viagem, afinal o ônibus foi e voltou pelo Ferry Boat, onde pude ver o canal, pegar vento no rosto, sonhar, viajar nos meus pensamentos e ainda poder comprar umas besteirinhas no free shop.
Melhor que isso, só se fosse de avião. Mas não era o caso, então era tratar de aproveitar ao máximo tudo que tínhamos.
Chegamos lá, o sol nos recebeu maravilhosamente bem. Que dia lindo! Que céu azul!
Fomos tomar um café da manhã para depois irmos para nosso primeiro passeio que seria o museu do Van Gogh.
Que lindo! Que perfeito! Cada quadro mais lindo que outro!
E a história de vida dele, como ele começou a pintar, onde estudou, o que o influenciou. Tudo ali na nossa frente. Tudo ali para ser admirado, estudado, guardado na memória.
Quando saímos de lá, nos deparamos com um parque que nos convidou a sentar e deitar na grama.
Corremos para lá! Queríamos sentar ao sol, queimar a pele branquela, suar, descansar e sonhar mais um pouco .
Chegou a hora do almoço e já sabíamos o que queríamos. Para variar, ( mentira, não variamos nada) fomos no Hard Rock pedir o macarrão com frango. Temos tanta imaginação culinária que nem precisamos de cardápio. Sempre o mesmo pedido. Mas sou da teoria que time que está ganhando não se mexe. Então, pedimos o de sempre para não termos problema.
Depois do almoço, ainda tínhamos tempo de passearmos pela cidade antes do nosso horário marcado na casa Anne Frank. E nesse momento, descobrimos Amsterdam.
Que linda! Que arquitetura!
Quando nos dirigimos para a casa de Anne Frank fomos observando tudo ao redor e gostando ainda mais de cada rua, cada casa, cada canal com seus barcos. Tudo colorido e o sol maravilhoso.
mas emoção mesmo senti ao percorrer o museu de Anne Frank. A sensação de sufocamento foi forte. Aqueles cômodos escuros e saber que viveram lá por 2 anos, sem poderem fazer barulho, sem poderem ser criança, sem poderem olhar pelas janelas. Que vida! Que força! Que vontade de viver!
Ali havia um silêncio de respeito.As pessoas falavam baixo, havia uma emoção em cada parte. E todos sentiam isso.
Fiquei imaginando o momento que ela foi presa e pode sair e pisar na rua. O que pensou? O que sentiu? Teve esperança de um dia voltar?
Tantos pensamentos me passavam pela cabeça.
Foi de uma emoção gigante.
Mas o que gostei também foi o fato de ter comprado o livro dela em português na lojinha que fica lá dentro. Não podia ser melhor!
Depois dessa visita, ficamos descansando dentro da lanchonete até recuperarmos as forças para continuarmos a conhecer a cidade, pois nosso ônibus ainda demoraria para sair.
E cada esquina, uma surpresa agradável.
Voltamos para Londres muito cansadas, mas com a sensação de que fizemos o que era certo.
Decididamente, existem situações que merecem uma segunda chance e Amsterdam mostrou que é uma delas.
Beijinhos e até o próximo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe aqui sua sugestão, dúvida, elogio e crítica. Esse blog se destina a dividir com amigos minhas experiências, mas todos são bem vindos a participarem com seus comentários.