tradução

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Velho Continente, novos olhares: Portugal

Falar de Portugal parece fácil, afinal somos criador e criatura, falamos a mesma língua, temos vários gostos em comum, alguns lugares lembram várias cidades brasileiras. Enfim, deveria ser o post mais fácil, mas exatamente por causa de tantas similaridades é que se torna difícil descrever a emoção que se sente ao chegar em Portugal. Ainda mais estando a sete meses sem ver o Brasil.
Parece que você está chegando em casa. E a primeira coisa que me emocionou foi o sol, o calor. Nunca pensei em dizer isso, mas 15 graus estava bem quentinho, para o frio de 4 graus aqui de Londres. Foram quase 5 dias passeando, conhecendo, reconhecendo, criando sonhos e fazendo planos para a próxima visita. Não tem como ir a Portugal e não querer voltar. É impossível!
Essa foi a segunda visita, mas a primeira da minha filha. Então veríamos tudo com novos olhos, faríamos programas adaptados à ela e o nosso desejo é que ela se encantasse por aquelas terras, como nós nos encantamos da primeira vez.
No primeiro dia fomos fazer um reconhecimento a pé pelo centro. Pegar um pouco de sol, aproveitar o calor. Subimos no elevador da Santa Justa que tem uma visão linda da cidade baixa com o rio Tejo ao fundo.
Depois fomos caminhando até chegarmos ao rio, e sempre com a impressão de que estávamos andando no Brasil.
É impossível não comparar! Para cada local em Portugal, você para, pensa e lembra de um lugar no Brasil. E para nós que conhecemos o Brasil, de norte a sul, então fica ainda mais fácil. É um tal de: "aqui lembra São Luis, aqui lembra Petrópolis, aqui lembra o centro do Rio de Janeiro" e por ai vai, sem acabar as comparações e a felicidade de poder se sentir em casa, a milhares de quilômetros de distância.
No segundo dia, alugamos um carro e fomos para mais longe em direção ao sul. Visitamos a cidade de Faro que fica em Algarve. Que lugar charmoso. O centro histórico parecia cenário de novela.

Todo conservado, reformado e ainda sendo restaurado. Ou seja, bem cuidado! E ai começam as diferenças entre nosso país e Portugal. Mas isso não é papo para agora!
Quando já estávamos regressando para Lisboa, que ficava a pouco mais de 2horas de distância, vimos uma placa, já na estrada que dizia: "Praias do Faro". Totalmente irresistível essa palavrinha mágica: Praia!
Fizemos um retorno e fomos procurar as praias. Já era final de tarde, o sol já tinha se posto, mas mesmo assim, vocês não imaginam a minha emoção de ver o mar. E que mar! Águar clara, verdinha! Um oceano a minha frente! Era eu e o mar! Vontade de correr pelas areias, tocar na água, ficar por lá por algumas horas e deixar o pensamento correr livre.
Mas o frio, a hora, a fome e o cansaço me venceram e me contentei em pisar na areia e sonhar rapidinho. Porém valeu e muito aqueles minutinhos de silêncio e paz.
Voltei revigorada.
No dia seguinte, fomos conhecer locais mais próximos, mas não menos bonitos. A primeira parada foi em Sintra, onde infelizmente o tempo não ajudou, e choveu muito, e tinha muita neblina. Mas mesmo assim não desanimamos e fomos conhecer o castelo da Pena. Achei lindo!
Ouso dizer, que é o castelo mais bonito que já visitei. Fiquei encantada com o trabalho artesanal, com as cores fortes usadas nas paredes. E ele está passando por uma grande restauração. Imagino quando ficar todo pronto! Precisarei voltar lá depois disso!
Depois de Sintra, resolvemos seguir até Cascais, pois fica perto e é região de praia também. E qual não foi a surpresa de descobrir que lá a chuva já tinha passado e o sol brilhava, deixando o céu de um azul intenso e lindo! Surpresas e mais surpresas!
Na volta, fizemos o caminho costeando o mar. Que fotos lindas que tirei! O mar parecia que estava posando para minha máquina. Ora verde, ora azul. E o sol se pondo atrás do carro.
Para encerrar esse dia, fomos até o shoping Vasco da Gama, que fica na parte nova da cidade. Com edifícios novos, arquitetura moderna e claro, um visual de tirar o fôlego. A parte externa do shoping te convida a sentar e perder a hora. Mas tinha recomeçado a chover, então só nos restava entrar e curtir um cinema.
Sim, fomos ao cinema! Queríamos aproveitar ao máximo a nossa língua, e nada melhor do que cinema para isso e para completar não podíamos deixar de entrar na FNAC. Fui ao delírio! Livros na minha língua. Me senti criança em loja de doces. Na minha bagagem: 3 livros.
No dia seguinte, faríamos os passeios por Lisboa. Ainda não tínhamos visitado o mosteiro de São Jorge, que fica no alto e tem uma visão magnífica de Lisboa. Melhor ainda do que do elevador, pois é mais alto e tem uma visão praticamente de 360°. Enfim, andei de bonde. Precisei atravessar o oceano para ter essa experiência. Achei uma delícia!
Dali fomos para Belém, afinal o passeio à Lisboa não é completo sem passar por Belém, por seus monumentos e a parada oficial na fábrica mais tradicional dos pastéis de nata ou Pastéis de Belém.
Já confessei meu pecado no facebook e quase fui torturada por tal, mas perdoem-me, não consigo mesmo gostar dos pastéis. Penso que 90% das pessoas e 100% dos portugueses amam, mas eu faço parte dessa minoria, porém para compensar esse defeito, eu ADORO o bolinho de bacalhau que vende lá. Acho que é o melhor que já comi na vida. Fui perdoada?
Uma coisa que não posso deixar de falar sobre Portugal. Lá, com 100% de certeza, é o melhor lugar para se comer aqui na Europa. A comida é saborosa, os pratos são fartos e o preço é convidativo. Você cansa de comer. E eles ainda dizem que o prato é para uma pessoa. Eu dividiria fácil o meu com minha filha, mas preferimos pedir dois pratos para podermos provar receitas diferentes e podermos assim avaliar se realmente era tudo gostoso.
E era! O peixe, o bacalhau, a carne vermelha, o feijão, o arroz, a batata. TUDO, absolutamente tudo era espetacular. Não tinha nada nos nossos pratos que pudéssemos reclamar.
O dia seguinte e último de nossa viagem, deixamos para fazermos as comprinhas que estavam faltando. Dava vontade de levar comida, queijos, vinhos, doces ( comi um quindim que mais parecia manjar dos deuses, de tão perfeito que estava) coxinha de galinha, risolis. Eu queria trazer um isopor de coisas gostosas, mas infelizmente a imigração aqui não me deixaria passar com meu farnel, então o jeito era me contentar com tudo que já tinha experimentado e deixar na lembrança esses sabores.
Quando planejamos essa viagem, tínhamos o objetivo de mostrar Portugal para nossa filha e queríamos que ela gostasse, então quando terminou a viagem, a primeira pergunta que fiz foi: " E ai, filha, o que achou de Portugal? Gostou?" E ela, com toda sinceridade, me responde: " Adorei mãe! Parece que estamos no Brasil, só que com mais organização"

Objetivo cumprido.
Portugal pertence ao Velho Mundo, mas sempre terei um novo olhar para lá, em todas as vezes que ainda voltar na terrinha. Esse é o sonho, essa é a idéia, esse é o pedido, essa é a certeza!
Espero que gostem e até o próximo!
Beijnhos

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui sua sugestão, dúvida, elogio e crítica. Esse blog se destina a dividir com amigos minhas experiências, mas todos são bem vindos a participarem com seus comentários.