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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Arte brasileira em Londres.

Ontem e hoje fui prestigiar a nossa arte.
Coincidência ou não, tanto o show de ontem da Marisa Monte, quanto a exposição do fotógrafo Sebastião Salgado, estrearam aqui em Londres em primeiro lugar.
E por coincidência, foi uma amiga brasileria que me contou desses dois eventos, e sugeriu que se eu não tivesse outra coisa para fazer, seria bem interessante.
Eu achei mais do que interessante. Achei que seria imperdível.
Para começar, sou fã da Marisa Monte, o show seria num teatro perto de casa, o preço estava excelente e realmente eu não tinha outra coisa prevista para o domingo.
Assim que soube, fiz uma pesquisa aqui em casa para saber quem gostaria de me acompanhar. Fiz a maior propaganda, falei das qualidades musicais da artista, disse que seria uma oportunidade excelente de assistirmos ao show de estreia da turnê europeia, enfim, chorei minhas pitangas para ver se comovia algum coração a me acompanhar.
Nada feito. Não se comoveram e gentilmente me disseram que não iriam.
Tudo bem! Irei sozinha! Acho que eles não acreditaram. Mas para comprovar minha decisão, entrei na internet e comprei meu ingresso.
Maravilha! Ingresso comprado, e o melhor, numa fileira bem perto do palco, mas não o suficiente para ficar de torcicolo. O que eu queria mais?
Queria é que chegasse logo a hora do show.
Saí de casa com bastante antecedência, pois apesar de ser perto, era num bairro que eu nunca tinha passeado, então não sabia se o teatro era próximo a estação de metrô.
Cheguei cedo, e fiquei aguardando sem problema algum, pois já estava com bastante público que também quis chegar adiantado. Detalhe, quase não se ouvia inglês. Parecia que eu estava na porta de um teatro brasileiro. Que delícia escutar tantas pessoas pessoas falando nossa língua ao mesmo tempo.
Mas a alegria de ver tantos brasileiros juntos, também caminha junto com a tristeza da falta de educação de muitos deles. Infelizmente, parece que só o fato de morar na Europa não é suficiente para que o jeitinho brasileiro seja extinto. Em alguns momentos me senti envergonhada, pela falta de educação, gritaria ( o show ainda nem tinha começado) pela malandragem e pior pela total falta de respeito á artista, pois depois que o show começou muitos levantavam para irem ao banheiro ou simplesmente passarem no bar para recarregarem sua dose de bebida. E olha que eu estava na frente. Imagino quem estava mais atrás como deve ter sido bem pior. Me senti mal com tamanha falta de senso.
Mas tirando esse detalhe, o show foi maravilhoso. A performance dela incrível. Que voz!
Quando ela cantou "tô com sintomas de saudades, tô pensando em você", o teatro veio abaixo. No final ela ainda fala que essa era para nós que estávamos longe de nossa terra. Chorei!
Saí de lá 100% satisfeita com a apresentação e hiper orgulhosa de mim, pois se fosse em outros tempos, talvez eu desistisse de ir, pois era à noite ( não gosto de sair de noite, ainda mais sozinha), num local que não sabia direito onde era. Mas tinha tomado minha decisão e foi muito acertada.
Hoje foi dia de ir ao museu para prestigiar um fotógrafo conhecido internacionalmente e que estreiou sua exposição aqui no Museu de História Natural.
A exposição foram 8 anos de trabalho ao redor do mundo, capturando imagens que nos remete ao Gênesis. Como ainda existem lugares que podem ser considerados intocáveis pela civilização! Animais, plantas, seres humanos vivendo de forma mais primitiva, mas confesso que quando vi os indíos brasileiros não gostei, pois a impressão que passa é que o Brasil é habitado por índios pelados, sem contato com a civilização e que possuem uma cultura totalmente baseada em agressões ao corpo, rituais dolorosos, enfim, quase pré-históricos, contudo tirando essa parte, toda a exposição é um delírio para os olhos.
São imagens em preto e branco que estão separados por localidades. Fiquei admirada com a quantidade de pinguim. Eu já tinha visto várias fotos de pinguim, mas essas que ele tirou são hiper dimensionadas em relação a quantidade. Parece um enxame. Impressionante!
Essa exposição irá para o Brasil no mês que vem, e penso que será uma boa oportunidade para os brasileiros verem lugares inimagináveis e de difícil acesso.
Saí de lá com uma sensação de que nosso país pode dar certo. Temos pessoas famosas e anônimas tão talentosas e não somente artistas. Falo em todas as áreas do conhecimento humano.
Mas o que falta é realmente nosso povo se apoderar disso. De seu talento, sua criatividade, sua inteligência para o bem, para algo maior que ele, e não somente para a baderna, arruaça, barulho, violência ou a lei do mais esperto.
E para encerrar quero registrar a cena que mais me comoveu dentro do museu.
Um grupo de crianças com idade, de no máximo 6 anos, fazendo uma excursão e naquele momento elas estavam no setor de aves. TODAS com um bloco na mão e cada uma desenhendo a ave que mais chamou a atençao delas. No meio do corredor, aquelas crianças sentadas no chão, compenetradas, fazendo sua tarefa como se fosse a coisa mais importante de suas vidas. Detalhe, a escola era pública, não era particular não.
Aquilo me emocionou, pois lembrei que muitas crianças brasileiras não tem escola, cadeira para sentar e material para estudar.
Quantas dessas poderão ter oportunidade de visitar um museu e fazer um desenho do que viram?
Nós temos uma arte brasileira tipo exportação, mais ainda falta muito para termos a educação também para exportar.
Um beijinho e até o próximo.

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