Na sexta feira passada ( 21/09) tive meu primeiro evento social, onde encontraria e conheceria outras esposas de militares que estão fazendo o mesmo curso que meu marido. Cada uma de um país diferente. Até escrevi, rapidamento sobre isso, no facebook.
Mas nesse dia, foi um encontro descontraído, que eu, a princípio, não queria ir, pois era à noite, estava frio, e teria que falar inglês o tempo todo. Mas me deixei convencer e fui.
Saí de lá muito satisfeita com as novas amizades e os novos conhecimentos culturais. A noite foi perfeita.
Mas hoje, tive o primeiro evento oficial organizado para que todas as esposas dos militares estudantes do Royal College, conhecessem o local, a história, a missão do Royal College e também para nos conhecerem e podermos conhecer as outras esposas.
Confesso que quando soube desse evento, fiquei extremamente ansiosa e preocupada, pois o primeiro pensamento foi: " o meu inglês já está pronto?" "entenderei alguma coisa?"
Nesse evento eu estaria sozinha, sem meu marido para me socorrer caso eu me enrolasse, era eu e eu.
Mas por causa do jantar informal da sexta, acordei me sentindo mais segura, pois já tinha conhecido outras 3 esposas, sendo que a coreana não iria, então tinha a chilena ( ótimo, qualquer coisa, falaríamos em portunhol) e a sérvia ( que fala inglês, mas bem devagar, dá para entender tudo).
Saí de casa bem tranquila, procurando não pensar em como seria, o que aconteceria, o que falariam. Saí de casa sem criar nenhuma expectativa. Saí como se estivese indo as compras ( pena que não deu tempo, pois passei na frente das melhores lojas de Londres).
A minha desvantagem era que as outras esposas moram na vila militar, então iriam todas juntas no ônibus fretado para levá-las e eu moro afastada ( por opção) então iria sozinha mesmo.
mas saí bem animada:
Um frio de rachar, mas não mudou meu humor.
Cheguei lá antes do ônibus que estava trazendo as minhas "amigas".
Nessa hora, deu um frio na espinha, pois eu já tinha dado algumas voltas antes de entrar no prédio, para fazer hora e estava chovendo, não dava para ficar na rua. Não tinha opção. Eu tinha que entrar.
Quando entrei, me identifiquei sem problema ( inglês tranquilo, tranquilo), e fui levada a uma sala onde estava sendo servido o chá.
Gelei! Quando entrei na sala, outras 4 esposas já tinham chegado e conversavam animadamente.
Em que língua? Inglês! Claro!
Não tinha nenhuma esposa ainda de país latino americano ou espanhol.
Assim que sentei, todas se voltaram para mim, para ver o que eu iria falar.
Me passou tanta coisa pela cabeça, tantas perguntas, tantas respostas, tantos assuntos e naqueles segundos eu emburreci de tal forma que não consegui abrir a boca e ser a primeira a quebrar o gelo.
Me senti desconfortável naquele momento! queria fugir, desaparecer, sair correndo!
confesso que tudo isso também passou pela minha cabeça! Mas me mantive ali, firme, sem tirar o pé do lugar.
Então, uma das esposas se dirigiu a mim e perguntou se não queria chá ou café. Respondo que não, obrigada e ela pergunta de onde sou.
Ufa! Ela quebrou o gelo!
digo que sou do Brasil, e começamos a apresentação uma das outras. Das 4 que estavam lá, só consegui entender a da Alemanha e da Austrália, mas que mora a mais de 20 anos aqui, então se considera inglesa. As outras 2, não tenho a mínima idéia, falaram rápido e baixo.
Ai também é querer demais do meu pobre ouvido brasileiro. Inglês rápido e baixo, acho que nem em 100 anos eu aprendo.
Depois disso, consegui manter uma conversa com essas duas que estavam ao meu lado, a australiana, tinha um inglês bem fácil de entender, sem sotaque e falava lentamente, até mesmo para eu poder acompanhar.
Graças a Deus, quando se fala que não se é bom em inglês, algumas pessoas são compreensivas e procuram ajudar.
Depois de pelo menos meia hora, chegaram as outras esposas. Me senti aliviada quando vi a chilena. Poderia falar, nem que fossem algumas palavras em portunhol. Ela não tem um bom inglês, está no mesmo nível que o meu, então procuramos falar em inglês para treinar, mas quando não sabemos a palavra, então recorremos ao nosso vocabulário. Mas sabemos que não podemos usar o espanhol, pois seria uma grande falta de educação e para nós também não é bom, pois nessas oportunidades é que treinamos nossos ouvidos e fala.
Depois do chá, fomos convidadas a assistirmos uma palestra, que era o objetivo da visita.
Falei para a chilena e a sérvia. Vou apertar o botão turn off. ( desligar), pois na minha cabeça, eu não iria entender nada mesmo, então nem me daria ao trabalho de tentar. Segundo meu marido, a senhora que daria a palestra tinha um inglês horrível, difícil de entender e que muitos alunos não entendem nada do que ela fala. Agora imagina uma palestra inteira com ela. Decididamente era melhor desligar a mente.
Mas não foi isso que aconteceu. Ela falou pouco e a palestra foi dada por um oficial da marinha real britânica, que fez questão de falar logo no início que falaria bem devagar, pois entendia que a maioria das esposas ali, não tinha o inglês como primeira língua. Que delicado e educado! Bem britânico mesmo!
Nessa hora, decidi entender o máximo que pudesse. Fiquei completamente ligada.
E para minha surpresa, entendi praticamente tudo.
Falei depois para meu filho, que eu não sei se o inglês já está entrando na minha cabeça ou se o fato de ser psicóloga e ser treinada para observar, faz com que eu perceba e entenda com mais facilidade.
mas o fato, foi que entendi tudo que tinha de importante para entender.
Depois dessa palestra, estava encerrada a visita.
O prédio onde está situada o Royal College é lindo. Bem inglês. Parece que estava dentro de um castelo.
Saí de lá com a sensação de dever cumprido. Fiquei satisfeita com o nível de entendimento que tive, mas ao mesmo tempo, confesso que em alguns momentos, no caminho de volta para casa, me senti deprimida, por não dominar completamente o inglês. Eu já entendo bastante, já escrevo, já posso manter uma conversa, mas eu quero mais. Eu quero poder sentar em qualquer roda de pessoas e poder entender tudo, quero poder participar de forma integral e não de forma parcial.
Eu adoro conversar, tenho uma curiosidade imensa sobre seres humanos, sobre outras culturas e não quero que a barreira da língua me impeça de aprender, de aumentar minha bagagem de conhecimento.
Sei que é uma cobrança absurda que me faço, mas não vejo outro caminho para alcançar meus objetivos que não seja me esforçando cada dia mais e não deixando que meu lado tatu bola prevaleça.
Podem ter certeza que é uma luta diária, mas tenho como aliado forte, essa vontade e fome e de conhecimento que me move. Então, por enquanto, o tatu bola, está guardado para meu retorno ao Brasil. Até lá, estou mais para coruja, olhando para todos os lados e aprendendo cada dia mais.
Um beijinho e até o próximo.


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