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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Um pé para fora!

Hoje aconteceu o que eu sabia que aconteceria, mas não esperava que fosse acontecer.
Já explico.
Logo assim que cheguei em Londres, fui avisada pelos amigos brasileiros que quando estivesse próximo de me mudar, o corretor iria marcar visitas para que pessoas interessadas no apartamento pudessem conhecer.
Achei isso muito interessante, pois ainda estamos morando, os móveis são nossos, são nossas coisas, nossa arrumação e nossa bagunça também.
Mas o tempo passou e esqueci completamente desse detalhe.
Até que na sexta feira passada, o corretor me ligou para saber se estaria em casa no dia seguinte, avisei que não e ele ficou de me ligar outro dia.
E ligou mesmo! Hoje, ele me liga e pergunta se estou em casa e se poderia trazer umas pessoas para visitar o apartamento. Digo que sim e ele marca para 1hora depois. Não me deu tempo de pensar ou argumentar.
Só por educação mesmo que ele ligou, pois na realidade, alguns corretores nem ligam marcando, simplesmente aparecem e caso você não esteja em casa, eles tem sua chave e entram.
Para nós parece invasão total de privacidade, mas para eles é tudo normal.
Ainda bem que nosso corretor tem essa delicadeza e creio eu, que por estar tratando com brasileiros e saber que não temos esse hábito no Brasil, ele ligou e marcou comigo.
Quando chegou, foi muito simpático e o casal que estava com ele também.
A sensação que eu tive é que era intrusa dentro da minha casa. Muito estranho ver estranhos dentro de casa. E ainda pediram para tirar foto. Que loucura!
Mas o que ficou dessa experiência foi a certeza que já estamos com um pé fora daqui.
Agora não tem jeito, não tem mais como nos enganar.
É começar a arrumar as caixas, marcar a passagem, regressar.
Mas antes disso, bem antes disso, ainda tenho muita coisa para fazer. Lugares para visitar, algumas viagens para fazer, enfim, posso estar com um pé para fora, mas o outro está muito bem plantado aqui onde estou e só o levantarei no dia e na hora de embarcar de volta.
Até lá, irei me surpreendendo, mas mantendo a certeza de que, por enquanto, ainda moro nesse apartamento.
Simples assim.
Beijinhos e até o próximo.

domingo, 16 de junho de 2013

Aproveitar, pois o tempo é curto!

Interessante como a sensação de urgência se apodera de nós, quando sabemos que temos um prazo a ser cumprido. Não posso falar por outras pessoas, mas eu vivo e trabalho melhor na pressão. Prazo longos são entediantes, me disperso, encontro outras prioridades e quando vejo, pronto, passou o tempo e está na hora de correr.
Sempre assim, nada muda e sinceramente, não faço questão de mudar. Até hoje não tenho queixas sobre esse meu comportamento, e claro que a volta ao Brasil com prazo para aproveitar Londres, não poderia ser diferente.
Não seria justo eu dizer que não tenho aproveitado todas as oportunidades que aparecem e as que tenho corrido atrás. Não é isso. Muito pelo contrário, se tem algo que tenho feito é aproveitar 100% do meu tempo e dessa minha estadia. O que estou querendo dizer é que existem algumas situações que vivi essa semana e que já estavam sendo adiadas desde que cheguei. Ou seja, já era para ter sido realizado com alguns meses de antecedência. Mas tudo bem, nada acontece antes do tempo, então ainda está dentro do prazo de validade.
Eu diria que essa semana foi uma das mais corridas, pois foram várias atividades que não deu para sentar e descansar.
Teve cerimônia militar, compra de bicicleta, assistir a peça do Fantasma da Ópera, desfile pelo aniversário da Rainha, conhecer pessoalmente um amigo brasileiro e receber os presentes de natal de 2012 de amigos muito amados de Brasília e finalmente buscar nossas novas bicicletas e ir andar no parque.
Ufa! Cansei!
Cada um dos eventos citados, foi de um prazer tão grande, que não consigo expressar a felicidade que senti em cada um deles.
Assistir à cerimônia militar me deu um orgulho muito grande do meu marido, comprar a bicicleta já era algo que me deixei enrolar por 10 meses, então já estava mais que na hora de ir lá e comprar, mas não era somente comprar, era escolher o modelo, ver os acessórios, sentir que aquela bike estava esperando por mim. Por que comprar é um ato muito mecânico, se você não colocar seu coração naquilo. É preciso sentir o prazer da compra, é sentir o gosto de saber que fez a melhor opção e que não há nenhuma outra no mundo que se compare aquela. É pessoal e intransferível.
E assistir ao Fantasma da Ópera? Nossa que emoção. Já perdi as contas de quantas vezes assisti ao filme, já sei os diálogos de cor, mas ainda não tinha assistido no teatro e fui surpreendida. Não imaginava como seria a cena do lustre caindo, a corrida para o interior do teatro. Tudo perfeito!
Agora, uma das maiores surpresas foi o desfile pelo aniversário da Rainha.
Eu não via a hora de participar de um evento que precisasse usar chapéu. Daqueles que se vê pela televisão, onde mulheres elegantes combinam chapéu, sapato, vestido e bolsa. Só faltava a luva. Mas se fosse à noite, eu não teria me feito de rogada. Teria ido de luva, com certeza.
Confesso que na hora de me arrumar fiquei na dúvida se colocaria ou não meu chapéu. E se fosse só eu de chapéu? E se o evento fosse mais simples do que eu esperava? Faria papel ridículo?
O que tirou qualquer hesitação foi o simples pensamento: " Você está em Londres, a cidade onde ninguém se importa como o outro está vestido, onde ninguém acha que o outro está melhor ou pior, onde ninguém, absolutamente ninguém vai reparar na sua roupa." Isso é uma das coisas que mais me encanta aqui. Eu não me importo com a vida do outro e vice versa. Tão prático, tão saudável, tão simples.
E lá fui eu toda feliz com meu chapéu. Me sentindo uma dama.
           (minha amiga pediu e para deixá-la feliz, acrescentei essa foto minha de chapéu)
 Eu e centenas de outras mulheres. Foi um desfile de chapéu. Cada um mais lindo que o outro. Na realidade o desfile foi para a Rainha, mas estava lindo de ver as arquibancadas. Pessoas vestidas com roupas a caráter de seu país de origem, africanos, árabes, ingleses de cartola e fraque. Um colorido todo especial. Amei cada minuto. E ver a rainha passando de carruagem? Me senti dentro de uma história infantil onde a rainha é boa, as princesas são lindas e meigas e príncipes andando a cavalo na frente da tropa. Decididamente eu estava dentro de um conto de fadas.
Mas a noite, também foi de surpresas. Finalmente conseguimos conciliar horários e conhecemos o portador dos mimos mandados pelos nossos amigos/irmãos tão amados da nossa igreja de Brasília.
confesso para vocês, que esse foi o único evento que me fez pensar que deveria ter acontecido com muito mais tempo de antecedência, mas tudo bem, ainda temos 2 meses pela frente para colocarmos muito papo em dia e assim o faremos.
O tempo pode ser curto para quem não aproveita, mas para mim, posso dizer que estou transformando minutos em horas, dias em anos e esse ano passado aqui em Londres, transformarei numa vida inteira.

Simples assim.
Beijinhos e até o próximo.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Certificado de Cambridge ou aproveitar Londres?

Essa pergunta tirou meu sono durante umas noites num passado não muito distante.
Que dúvida cruel!
Afinal estar em Londres, estudar para aprender inglês e não voltar com nenhum certificado me parecia um absurdo. Na minha cabeça, estudar (muuuuuito) inglês fazia parte do "aproveitar Londres" e sendo assim, desde o início me propus a fazer uma prova de Cambridge e voltar com um bonito certificado. Sim, o certificado é bonito, quer dizer: bonito é meu diploma de psicóloga, esse certificado é lindo. Vale até quadro. Brincadeira. Não vale não, até por que o meu de psicóloga, que é o certificado mais importante da minha vida não está em quadro. Mas ele é lindo sim. Isso não é brincadeira.
Só que com o passar do tempo, as prioridades foram mudando, e o inglês que já tinha aprendido era mais que suficiente para me comunicar, entender o que realmente importa no dia a dia, manter uma conversa, enfim, cheguei num ponto muito superior em relação ao nível que cheguei aqui. Ainda não estava bom, ainda não é perfeito, ainda tenho muita coisa para aprender, mas venci a barreira inicial e dei um duro danado para chegar aonde estou, só que com isso, fui deixando de estudar, larguei os livros e fui aproveitar a vida londrina. Fui adquirir cultura em lugares que ficarão para sempre na minha memória, fazer passeios que valiam mais que 15horas semanais dentro de uma sala de aula.
Mas ficou aquela vozinha perturbando minha mente: "Você não vai fazer prova? Tem certeza que não quer se testar?" Pronto! Minha mente sabe usar as palavras certas! A chave para tomar a decisão de fazer a prova era: "você não vai se testar?" Foi lançado o desafio que eu tolamente aceitei na hora.
Com a ajuda de uma amiga, fiz minha inscrição para o exame de Cambridge Esol. Só que depois que fiz a inscrição, a quase 2 meses atrás, esqueci completamente do assunto e só queria saber de passear com os amigos que chegavam e partiam. Foi uma loucura esses dois meses.
Cheguei até a comprar livros para me preparar, mas confesso que estão novinhos e sem manuseio.
Não peguei em livros, apostilas. A única coisa que fiz, e mesmo assim, sem nenhuma intenção em relação ao exame, era assistir série em inglês com legenda também em inglês. Só.
Chegou o dia da prova. E foi na segunda feira a primeira. Era a parte de speaking.( falar). O detalhe mais importante é que eu jurava que tinha me inscrito para o nível básico. Só para constar que fiz uma prova, sem pretensão nenhuma e sem chance nenhuma de ficar reprovada. Então meu nível de estresse era igual a zero. Mas quando fui ver meu cartão de inscrição eis que a verdade aparece: eu tinha me inscrito para outro nível. O nível intermediário. Ai deu medo! Ai fiquei com frio no estômago. Lembrem-se, vocês que me acompanham desde o início qual era o meu nível de inglês quando saí do Brasil e fazer essa prova para nível intermediário era ter  coragem e muita de cara de pau da minha parte. Mas se já estou na chuva, então quero mais é me molhar e lá vou eu, com a cara de pau banhada em peroba e a coragem no pé.
Eu já sabia que essa prova seria feita em dupla e que teria uma parte de conversação de 5 minutos. Então quando cheguei e vi a pessoa que iria fazer prova comigo, tentei ser simpática e puxei assunto perguntando de onde ela era. A resposta? Rússia. Silêncio total depois dessa resposta. Não podia ser uma brasileira, uma espanhola, uma pessoa mais simpática que pudéssemos já travar uma conversa e nos acostumarmos com o sotaque uma da outra? tinha que ser uma russa de pouca conversa? Entramos para a prova. O que posso resumir, é que a russa soltou a língua lá dentro, falou tudo que não falou comigo do lado de fora e me deixou de cara de boba sem ter o que falar. Pior, ela não fez diálogo nenhum. Simplesmente, falou, falou e falou diretamente para as supervisoras e me deixou sem ter o que completar. Depois disso, minha mente fechou e não conseguia nem lembrar a palavra glove (luva).Saí de lá odiando russos!
Mas hoje seria a melhor parte. leitura, escrita e ouvir. Ainda assim, saí de casa nervosa. Mesmo sabendo que não tenho motivos para isso. que é somente uma competição minha comigo mesma. Que não fará diferença nenhuma na minha vida ser aprovada ou não. enfim, podia relaxar, mas não relaxei. Até que andando pela rua, cruza comigo um simpático homem vestido de fraque e cartola ás 9horas da manhã. Vocês tem ideia do que é isso? Da cena que eu vi? E ele andando naturalmente, indo pegar o metrô como se estivesse de terno e gravata. Hiper normal.
Não pude deixar de sorrir por dentro. E pensei: Oh my God! Estou em Londres e estou tensa por causa de uma prova? Para Rita! Pode parar! Deixa de ser ridícula com esse nervoso, pois você está aqui para APROVEITAR e não para se estressar. E se você não estudou, foi por que não era prioridade, então relaxa e aproveita. Curte o momento e terás boas histórias para escrever no blog.
E assim eu fiz. Na mesma hora, a tensão me deixou e lá fui eu atrás do endereço do local da prova. Por que, detalhe, eu não sabia onde era a prova e o 3G do meu celular resolveu não funcionar. Que legal!  Na hora pensei: " essa é a brecha que preciso para voltar para casa e não fazer a prova" Eita covardia! mas segui em frente e o Ipad me salvou.
Só pelo visual da igreja onde foi realizada a prova já teria valido a pena ter chegado até lá. Que lindo! Que paz!

Fiz a prova, fui bem e agora é esperar o resultado.
contudo, o resultado final dessa aventura eu já tenho: Ganhei e muito no dia de hoje, pois se eu tivesse desistido e voltado para casa, eu não teria conhecido mais um lugar lindo aqui em Londres e teria perdido a oportunidade de ver e passear por lindos jardins.
Então no final das contas o certificado de Cambridge está intimamente ligado com meu objetivo principal até o dia de voltar ao Brasil: Aproveitar ao máximo cada oportunidade dada e tirar a beleza de cada instante.
Simples assim.
Um beijinho e até o próximo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Férias, sol, mar e Inglaterra

Carioca da gema quando tira férias pensa no mar. Quer ver praia. Pode ser em qualquer lugar do mundo, mas precisa ver as ondas batendo, o azul profundo, a areia. Não precisa ser cheia, muito pelo contrário, praia boa é aquela que parece que é sua, onde você se sente rainha e pode tirar o dia para relaxar e deixar o pensamento voar livre. Se tiver um bom livro então...Ah não precisa de muito mais que isso para as férias serem perfeitas.
Com esse cenário na cabeça e uma saudade louca do mar, resolvemos que nossas férias seriam na praia.
Por conta do trabalho, meu marido não pode nos acompanhar, então seríamos eu, minha filha e uma amiga a pegarmos a estrada e descobrirmos os encantos do mar inglês.
Num primeiro momento, reservei um hotel na cidade de Bournemouth, no sudoeste da Inglaterra. quem quiser mais informações da cidade, segue o link.
Pelas fotos parecia ser um local bonito, com algumas praias por perto, e cumpria com o objetivo carioca de passar férias.
Só que depois de tudo reservado, minha filha deu a sugestão, de visitarmos um outro lugar chamado Durdle Door, pois ela tinha feito um trabalho de geografia na escola e viu que era muito bonito. E além disso, uma amiga dela tinha ficado num acampamento dentro desse parque. http://www.lulworth.com/holiday/holiday_park.htm
Bem vamos ver no que vai dar essa aventura. Entrei no site e vi que estava ali uma oportunidade de fazer algo totalmente diferente de tudo que já tínhamos feito.
E afinal, férias não é para isso? Para sairmos da rotina, reinventarmos, enriquecermos com novas experiências?
Marquei uma noite numa cabana dentro do parque.
No dia da viagem, saímos cedo, pois são quase 2:30h de viagem para um lugar que nunca tinha ido.
Só que nesse acampamento é no sentido literal mesmo da palavra. A cabana só tinha as camas, ou seja, todo material de cama e banho deveria ser levado. E não tinha banheiro. Essa era a única parte ruim.
Chegamos, nos instalamos e fomos correndo ver a praia. Era uma caminhada de uns 15 minutos, por uma estradinha de pedras lisas e em descida. Mas o visual compensou tudo. Até mesmo o tombo que levei.
Estava um dia lindo. Sol queimando e vento frio.
Por ser um lugar turístico, estava muito cheio e a descida parecia procissão. Eram pessoas subindo, pessoas descendo e uma variedade linguística enorme. Até brasileiros encontramos por lá.
O que me chamou atenção nesse lugar, foi a quantidade de trailers e barracas. Eu nunca tinha acampado antes, não tinha noção de como era um acampamento, então tudo era novidade. E como tinham pessoas idosas! Achei o máximo ver casais com mais de 60 anos, acampando, escalando essa mesma estradinha que levei tombo e eles passando por mim na maior desenvoltura.
Mas tive uma certeza. Aquela vida de levar a casa nas costas, decididamente não é comigo. Precisa ter muito amor pela simplicidade, pelo trabalho árduo, pelo contato direto com a natureza e pouco conforto. E confesso que a soma desses fatores não me atrai mais que uma noite. Contudo, como experiência, valeu muito a pena. Diria que é imperdível esse passeio e essa estadia.
No dia seguinte, fomos para nossa segunda parada. Bournemouth. Não víamos a hora de entramos num hotel, tomarmos um banho num banheiro particular, deitar numa cama macia e dormir o sono dos justos.
O hotel que ficamos era simples, sem luxo. Padrão bed and breakfast, sem frescura. Mas muito limpinho e atendeu aos nossos desejos.
No dia que chegamos, minha filha já estava começando a ficar resfriada, então não tinha como ficar muito tempo na rua e descobrir a cidade. Resolvemos então somente almoçar e eu e ela voltamos para o hotel, para que ela pudesse descansar, enquanto minha amiga ia passear sozinha. Estava um vento gelado, estávamos com frio e não faria nada bem ficarmos de bobeira pegando vento. E como ainda teríamos o dia seguinte todo para passearmos, não nos importamos de voltar. Só que no dia seguinte, amanheceu chovendo. E assim ficou o dia inteiro. Mas não íamos perder a viagem, então pegamos o carro e fomos conhecer os arredores. Fomos até Poole e uma península chamada Sandbanks.
Só que a chuva tirou toda beleza do lugar, que parece ser bem bonito, mas com tudo cinza, fica difícil avaliar. Teríamos que voltar lá com sol para ver, mas creio que não será possível, afinal não fica pertinho de Londres.
Nesse dia, depois de vermos que não teríamos condições de fazermos nada ao ar livre, fomos procurar um shopping. Só nos restava bater perna e quem sabe achar alguma coisa interessante para comprar. E assim passamos nosso dia, fazendo passeio de mulherzinha. Shopping, compras, sacolas, brincadeiras dentro de lojas, lanche, almoço, mais brincadeiras e volta para o hotel cansadas no corpo e na bochecha.
O dia seguinte, era nossa volta. E para nossa surpresa, quando abrimos as cortinas, lá estava o astro Sol reinando absoluto. Sem nuvens, sem vento. Nada!
Não acredito!
Decidimos dar uma volta na praia para tirarmos algumas fotos e fomos. Quando eu vi a praia vazia, o mar lindo, o céu azul, confesso que deu vontade de ficar, mas o dever me chamava de volta á Londres, pois em algumas horas, meu irmão estaria desembarcando nas terras da rainha.
Então não tinha jeito. Era tirar as fotos e ficar com gostinho de quero mais na boca.
Não posso dizer que fiquei frustrada por isso, pois o objetivo dessas férias era fazer algo diferente, conhecer  outros lugares e quanto a isso, foi 100% alcançado.
Revi o mar, descansei minha mente, e pensei: Daqui a pouco estarei no Brasil, e sempre que sentir saudades de ver o mar, basta pegar um avião para qualquer lugar da imensa costa brasileira e terei todo tipo de mar que eu quiser.
Foram dias perfeitos, lindos, mesmo com cama parecendo maca, chuva, tombo, frio.
Não importa o exterior, o que importa é como seus olhos enxergam a beleza.
E os meus, bem os meus, sempre irão procurar o belo independente de qualquer coisa.
Simples assim.
Beijinhos e até o próximo.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Tea afternoon - O verdadeiro chá inglês

Logo de início quero deixar claro minha preferência pelo chá e ligeira aversão ao café preto. Ok! Não precisam fazer cara de espanto ou pensarem que sou uma carioca surtada, brasileira desnaturalizada. Nada disso, adoro o aroma do café, mas não consigo apreciar o sabor. Não adianta, já tentei, já saboreei de várias formas, fraco, forte, fortíssimo, quente, morno e frio. Não vai.
Mas com o chá é diferente. Tirando o chá de canela, ou que leve canela no preparo, eu gosto de todos. De preferência morno. Não gosto de nada quente, queimando a língua. Prefiro morno para frio.
Porém esse post não é para falar das minhas preferência líquidas e sim para contar uma experiência maravilhosa que tive essa semana e que claro, envolvia o tradicional chá das 5.
Desde que minha amiga chegou que pensávamos em ter a experiência do chá das 5. Quem não ouviu falar sobre isso? Mas o que é exatamente esse chá das 5?
Por que o chá aqui, é tomado a qualquer hora em qualquer lugar.
Mas existem os lugares onde são servidos os tea afternoon. São lugares com mais requinte, onde servem mais variedades de pães, bolos, biscoitos e chá de sua preferência.
Escolhemos o Brown's Hotel http://www.brownshotel.com/, pois a ideia era termos uma noção exata de como é o chá inglês e nada melhor que um hotel tradicional no coração de Londres.
Depois que agendamos nosso dia e horário e que fui ver alguns links e vi que esse hotel está listado como uma dos 10 melhores de Londres.
Sendo assim, eu esperava bastante desse momento.
Detalhe: no email de confirmação, eles sugerem sobre o tipo de roupa a ser usada para não causar constrangimento aos outros visitantes. Achei o máximo.
No dia marcado, chegamos lá e fomos encaminhadas a uma mesa para dois, com direito a um sofá. Mais chique impossível.
Então o garçom veio e nos explicou o funcionamento. Resumindo era: escolheríamos o nosso chá preferido, dentre a lista que ele nos ofereceu, teríamos a disposição e reposição os vários pães, biscoitos e sobremesas e no final escolheríamos a torta que gostaríamos, dentre as oferecidas.
Estava tudo uma delícia. A experiência valeu cada libra paga, mas posso confessar uma coisa?
Quem conhece um gostoso café colonial servido no nosso país, não acha o chá das 5 a melhor coisa do mundo. E foi isso que aconteceu. Entre um café colonial no Brasil e um tradicional chá das 5, eu escolho sem pestanejar, o nosso café.
Claro, que eu não poderia deixar passar essa oportunidade de conhecer essa tradição, mas não é algo que eu pagaria ( por que não é barato) toda semana para ir. Enquanto que café colonial, eu pagaria todos os dias.
É bonito? É!
É gostoso? É!
Vale a pena conhecer? Claro que sim!
Vale a pena repetir? Bem, agora só se alguém pagar para eu ir, pois caso contrário, fico com meu chá da tarde em casa, com meus bolos, biscoitos, pães, pastas, e com a vantagem de poder acrescentar toda variedade que minha imaginação inventar.
Nesse quesito, ponto para o Brasil.
Mas se você vier à Londres, não perca essa chance. Vale a pena e terás boas histórias para contar.
Beijinhos e até o próximo.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

A cada dia, um novo lugar, uma nova descoberta.

No post anterior, falei das várias visitas que tenho recebido desde março e o quanto isso tem alegrado meus dias.
Contudo, deixei de fora os vários passeios que fiz e tenho feito com a "desculpa" de levar meus amigos para conhecerem lugares novos.
Digo "desculpa" por que na realidade são meus amigos que estão me levando para conhecer novos lugares.
Lugares que o tempo passou muito rápido e ainda não tinha tido a chance de conhecer. E são lugares incríveis que seria um pecado voltar para o Brasil e dizer que não os conheci.
Em março, conheci Bath. Em que os fãs de Jane Austen consideram um absurdo vir a Londres e não visitar.
Ainda não me tornei essa grande fã, diria que sou uma fã mediana, mas já estou na ponta por conhecer Bath. Já ganhei uns pontos com o fã clube.
Em maio, fui conhecer o teleférico da Emirates. Aquele que foi inaugurado para as Olimpíadas. Que atravessa o rio Tâmisa de um lado para o outro.

O mais interessante, é que quando inaugurou, eu ainda estava no Brasil, mas já sabia que viria para cá, e falei que seria uma das primeiras coisas que gostaria de conhecer quando aqui chegasse.
Não cumpri com essas minhas palavras e se não fosse os meus amigos, nem sei se daria tempo de ir conhecer.
E confesso, é um passeio imperdível! Para quem tem medo de altura, eu diria que é beeeeem alto, e o carrinho vai muito devagar. Mas o visual compensa tudo. Ver Londres do alto é ainda mais lindo.
Além desse passeio, fui conhecer o Kensington Garden. E me perguntei como ainda não tinha ido até lá. Que jardins maravilhosos. Que paz! As flores por lá, parecem que possuem cores mais vivas, mais fortes. E nesse dia, o astro sol, resolveu dar o ar de sua graça e nos presenteou com um dia lindo.

Percebem o "sacrifício" que foi para mim, levar meus amigos para conhecer esse parque?
Como se não bastasse, fiz o "maior esforço" para levá-los para conhecer Paris. Estou quase me candidatando a guia turístico de Paris. Só que dessa vez, fui de uma maneira bem diferente. Fomos de ônibus e fizemos um bate e volta. Passamos a noite viajando e tiramos o dia para conhecer as principais atrações turísticas e retornamos na noite seguinte. E mais uma surpresa me aguardava.
Eu ainda não tinha atravessado o Canal da Mancha de Ferry Boat. Ainda faltava ticar esse evento. Já tinha ido de trem, de carro, mas de barco ainda não e não estava satisfeita com essa falta. Então quando voltamos, sem que eu soubesse, nosso ônibus voltou de Ferry. Nossa, me senti fazendo um cruzeiro. Pena que estava ventando e fazendo frio, caso contrário, não tenho dúvida que estaria do lado de fora tirando fotos e apreciando esse passeio. Mas nem tudo estava perdido, pois dentro do Ferry, funciona um freeshop,  uma loja da Disney, uma grande lanchonete e várias outras lojas para a viagem ficar bem mais movimentada e agradável. Decididamente, meus amigos estavam me levando para excelentes passeios.
Vocês acreditam que morando aqui a 10 meses e eu ainda não tinha entrado e conhecido a história da Abadia de Westminster?
Pois é, nem eu acreditava que o tempo tinha passado tão rápido e eu ainda não tinha entrado lá.
Valeu cada libra da entrada. E o audio guide era em português, então deu para entender tudo que era narrado sobre a Abadia. A emoção maior foi chegar no altar onde foi velada a princesa Diana. Relembrei a cena mostrada ao mundo do Elton John cantando aquela música maravilhosa. Impossível não se emocionar.
para quem não conhece ou não lembra, deixo aqui o link para poderem relembrar:
http://www.youtube.com/watch?v=veWHazTuyME
Mas ainda não terminei de conhecer novos lugares, novos sabores, novos cantinhos.
Fui finalmente apresentada ao fish and chips (peixe com batatas fritas). Como assim, Rita? 10 meses e ainda não tinha comido o prato mais britânico que existe? Ai que vergonha! Meu rosto está corado!
Não, eu ainda não tinha comido.
mas para me redimir, fiquei viciada. E agora, em toda saída, quero logo provar o fish and chips daquele lugar para ver se é  melhor que o anterior.
Me redimi? fui perdoada por esse sacrilégio?
E Convent Garden? E Neal's Yard?
Levanta a mão quem já ouviu falar nesses lugares.
Neal's Yard fica dentro do bairro em Convent Garden e é uma ruazinha muito charmosa, que mais parece um beco. O charme fica por conta do colorido das construções. Parece um oásis dentro do tumulto que é Convent Garden. Tem pub, lanchonete, pessoas andando e admirando as cores dos prédios. Tudo na mais perfeita calma e paz.
Amei esse lugar.
E os passeios para fora de Londres?
Fui conhecer Oxford. Que por incrível que pareça, ainda não tinha ido. Tão perto, somente 1:15h de distância e nesse tempo todo não tínhamos tido a oportunidade de conhecermos.
Amei. É uma cidade jovem, pois tem várias universidades, muitas escolas. A quantidade de bicicletas que estavam estacionadas era inacreditável. Fiquei imaginando quando todos fossem pegar suas magrelas e saíssem pedalando pela cidade. Creio que não dá para os carros e ônibus andarem. Elas devem dominar as ruas. Subimos no alto de uma torre, chamada Carfax Tower e pudemos ter uma visão de tirar o fôlego.

Hoje foi a vez de voltar a Salisbury e entrar na catedral. Já tinha passado pela cidade, numa outra ocasião, mas não me lembro o  motivo, não entramos na catedral, só tiramos fotos por fora.
Mas hoje foi o dia de entrar e conhecer a catedral que guarda uma das 4 cartas magnas ainda existentes no mundo, datada de 1215. A catedral de Salisbury tem o maior pináculo britânico. Ainda bem que não tinha passeio para subir até lá. Porém o passeio guiado por dentro da catedral valeu muito a pena. Ela é linda por dentro.

Ainda faltam alguns passeios inéditos, como a praia que iremos conhecer no final de semana, ainda não fui na catedral de Saint Paul. Sim, é verdade. Eu ainda não fui na catedral de Saint Paul.
Olha que pecado.
Ou seja, o tempo está voando e ainda tenho alguns lugares que preciso conhecer antes de voltar ao Brasil.
Com isso, só tenho a agradecer aos meus amigos por estarem me "obrigando" a fazer esse esforço de levá-los a conhecer lugares lindos e que se não fosse por eles, talvez eu só ficasse a ver por fotos na internet quando já estivesse cheia de saudade da minha amada Londres.
Daqui a 2 meses já estarei de malas prontas para retornar e com certeza minha bagagem estará muito mais pesada, mas essa bagagem não será levada por um avião ou por navio.
Essa bagagem estará para sempre dentro do meu coração e da minha mente e a levarei por todos os lugares para onde for.
E essa bagagem estará pesada sim, mas de muito conhecimento e vivência.
Um beijo no coração e até o próximo.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Amigos em Londres

Tem acontecido tantas coisas divertidas nesses últimos dias que não tenho tido tempo de escrever. E isso me dá uma certa angústia, pois quero correr para contar e quando me dou conta, já passou mais um dia e já acumularam mais histórias e o tempo voando contra e a meu favor.
Tenho tido o privilégio de receber amigos muito amados aqui em Londres e isso faz um bem enorme para nossas vidas, pois diminui a distância de nossos queridos no Brasil, diminui a saudade daqueles que chegam e a impressão que tenho é que cada um que chega representa um grupo específico de amados que estão esperando nosso retorno.
Nossas visitas começaram a chegar em março. E foi uma alegria imensa, pois chegaram próximo ao meu aniversário e pudemos comemorar ao lado deles. Além disso, eles são amigos de longa data, mas que por conta de nossas mudanças e andanças pelo Brasil, já não nos víamos a 7 longos anos, desde que deixei Brasilia. Mas amizade verdadeira é assim, quando há o reencontro, o tempo e a distância parece que nunca existiram e tudo recomeça do exato ponto em que parou. Lindo! Mágico! Abençoado!
Falar desses amigos, é como falar de família, pois os admiro demais, temos pensamentos muito parecidos em relação a vários assuntos e as duas filhas desse casal, são as filhas que todo mundo quer ter em casa. São meninas de uma educação, gentileza, coração generoso. As conheci pequenas e agora estão adultas, mas continuam com o mesmo jeitinho de meninas. Lindas! Sou fã delas.

Passeamos bastante, com elas conheci Bath, sim, elas são fãs, minto, muuuuuuito fãs, de Jane Austen e fomos lá conhecer o centro Jane Austen. Não entrei, deixamos as meninas na porta e fomos passear pela cidadezinha. Que graça. Aconselho um passeio por lá. Cidade do interior já é uma graça, imagina cidade do interior da Inglaterra. Sim, vale a pena conferir.
Porém o mais divertido eram as noites ao redor da mesa, onde relembrávamos histórias, ríamos das aventuras do dia, imaginávamos o dia seguinte. Foram dias maravilhosos. Na despedida, um pouco de tristeza, mas a certeza que a amizade é verdadeira e que nos veremos em breve.
Passou o mês de abril, sem muitas aventuras diferentes, só com pequenos passeios e nada de muito interessante para contar. Até que chegou maio.
Esses primeiros 15 dias de maio, estão maravilhosos e tenho certeza que continuarão assim, até a data do nosso retorno ao Brasil.
O motivo, é que além de estarmos recebendo amigos, já estamos nos preparando para a volta, então temos procurado fazer passeios que não tínhamos feitos até agora, ou seja, cada dia está sendo uma nova descoberta. Que delícia.
Mas voltemos aos amigos, pois esse post é dedicados a eles.
No dia 1° de maio, chegou nosso amado pastor, sua esposa e sua mãe.

O fato dele ser nosso pastor, não impossibilitou de nascer uma amizade verdadeira e sincera e confesso que sou muito fã de sua esposa. Sabe aquela pessoa que tem carinha de anjo, que tem a voz que te acalma, que está sempre pronta a te ajudar, que tem um riso fácil, adora ler, é inteligente, doce, enfim, aquela amiga, que todo mundo quer ter? Então, é ela. E tenho o privilégio de tê-la como amiga. Mais uma das inúmeras bençãos de Deus na minha vida.
Foi uma emoção muito grande recebê-los na estação de trem. Já se iam 10 meses sem o encontro, pois o contato nunca se perde. Os levamos ao seu hotel e no dia seguinte, fui levá-los às compras, pois os passeios turísticos, eles estavam bem orientados e tinham o roteiro todo traçado. Foram horas maravilhosas. Meu maior prazer nesse dia, foi olhar o rosto da minha amiga ao sair da Waterstone, que é uma rede de livraria que tem aqui. A título de comparação, parece uma Mega Saraiva ou Livraria da Travessa no Brasil. Ela parecia criança que ganhou seu presente de Natal antecipado. Linda, seus olhos brilhavam. Foi emocionante ver aquela alegria. Posso confessar uma coisa?
Sou extremamente emotiva ao ver a alegria sincera no rosto das pessoas. Parece que vou explodir de tanta emoção ao ver olhos brilhando, palavras que não saem, pois o pensamento está muito acelerado de tanta alegria. Isso me faz ganhar o dia. E poder participar desse momento, para mim, é momento Mastercard: "não tem preço."
Mas ainda tinham amigos para chegar.
E no dia 3, chegou meu amigo Ludovicense (natural de São Luis - Maranhão) e sua filha para ficarem aqui em casa. Sabe aquela pessoa que diverte e alegra qualquer ambiente? É ele. Esse amigo é uma figura. Nos faz rir até do que parece ser sem graça. Mas também tem a hora de falar sério, ou seja, ele consegue ter a medida exata da alegria e da seriedade.

E minha alegria, foi ver sua filha, deslumbrada com Londres, já que era um sonho dela conhecer as terras da Rainha.
Com eles, fomos conhecer o teleférico que atravessa o rio Tâmisa, e que foi inaugurado para as Olimpíadas.

Fui levá-los ao estúdio da Warner Bros. Studio, pois ela é mega fã do Harry Potter. Foram dias alegres, onde pude passear, rever lugares que amo aqui em Londres, sentar nas cadeiras do Green Park para pegar um solzinho e ver a vida passar. Que delicia!
Foram embora, mas deixamos a promessa de tentarmos retribuir a visita em outubro, nas terras do Bumba meu boi.
Mas não dava tempo de tristeza, pois no dia seguinte a essa partida, chegou minha grande amiga. Aquela que considero uma irmã caçula, que Deus colocou em meu caminho a muitos anos atrás, quando ela ainda era uma adolescente e eu líder da juventude da igreja. Surgiu ali, uma admiração mútua, um carinho todo especial e uma amizade, que sabíamos que seria para sempre.
Com ela, o riso é fácil. Estamos sempre prontas, ou melhor, eu estou sempre pronta, para uma palhaçada e ela cada vez mais tem certeza que sua amiga é doida de pedra. Sou mesmo e quem não é?

Ela ainda está no início de sua temporada aqui comigo. Ainda teremos muitas aventuras juntas. Ainda teremos muitas compras a serem feitas, lugares a serem descobertos, e muitas e muitas risadas a serem dadas.

Esses dias, na companhia de cada um desses amigos, só me fez solidificar a certeza que já tinha, de que não importa onde você esteja, não existe distância para os verdadeiros amigos e que mesmo que passem anos, quando você conquista e cultiva uma amizade, ela florescerá, independente se nos vimos ontem ou a uma década atrás.
E posso dizer com muito orgulho: Eu tenho poucos, mas tenho amigos que serão amigos, até do outro lado do oceano.
(quero esclarecer, que existem outros amigos muito amados no Brasil e que em hipótese nenhuma esse post os diferencia ou os coloca numa posição maior ou menor que eles, apenas esses citados, tiveram a oportunidade e benção de Deus, de estarem comigo e alegrarem ainda mais essa minha estadia por aqui e não poderia deixar de homenageá-los e agradecê-los publicamente por esses dias maravilhosos que tenho passado).
Simples assim.
Um beijinho e até o próximo.