Acabei de ler um texto de uma das minhas autoras preferidas cujo título é exatamente o mesmo deste post.
Quando terminei de ler, pensei em quantas vezes eu também já tinha falado essa frase e veio combinar com o dia de hoje.
Quem me conhece pessoalmente, com certeza, já me ouviu falar a seguinte frase:
"poucas coisas me tiram o bom humor, mas frio é uma delas!"
E era verdade, até o dia 13 de julho de 2012!
Sempre que eu falava isso, meu marido corria para dizer de forma brincalhona e sarcástica: " Ok! Então se algum dia, eu for transferido para Europa, vou dizer que não quero ir, por que você não gosta de frio!"
Mas nesses momentos eu pensava: "Nunca nem moramos no sul do Brasil, não creio que iremos morar na Europa. Quem sabe num outro lugar mais quentinho... Quem sabe?"
Mas a vida dá muitas voltas e nos trás muitas surpresas. E estar aqui é a maior delas, não tenho dúvida nenhuma disso!
Mas realmente o frio sempre me deixou de mau humor, sem ânimo, sem vontade de sorrir e principalmente sem vontade de fazer coisa alguma. E o pior, nem chocolate quente eu gostava!
Carioca da gema mesmo! Calor- praia- pouca roupa - ar condicionado. Pronto! Era o paraíso!
Mas com essa mudança para cá, confirmei o que sempre senti.
Sou camaleoa!
Desde que cheguei aqui a temperatura tem variado muito, mas agora a tendência é baixar cada dia mais. Não tem como subir até o ano que vem.
Essa semana entrou uma frente fria que está derrubando a temperatura.
e com tendência a chegar a -2°, de hoje para amanhã!
Tudo bem que já peguei essas temperaturas quando viajei, mas quando sou turista não me permito perder tempo pensando que está frio, que está ventando. Tenho um tempo cronometrado para passear, conhecer os lugares e voltar para o calor da minha terra natal.
Mas agora não! Agora é diferente!
Essa é a terra onde estou vivendo!
Esse é o clima que verei durante esse ano que por aqui estarei.
E confesso que estou adorando!
Nunca imaginei um dia dizer isso!
Mas estou adorando esse frio! Estou adorando ver o termômetro baixar! Estou adorando colocar uns 2 quilos de roupa, luvas, chapéu (ADOOORO!), cachecol e bota!
Sinto-me tão confortável quanto nos dias que colocava biquini, canga, chapéu ( não pode faltar!) e ficava estirada na areia torrando!
Agora torro no sol do frio. Minha boca está queimada. Preciso de manteiga de cacau ou algo similar.
Me surpreendo a cada dia comigo mesma! Me apaixono cada vez mais por esse clima.
Todos os meus amigos brasileiros, dizem: Aproveite, curta bastante!
E é exatamente isso que estou fazendo em cada segundo que passa.
Aproveitando! Curtindo! Sorrindo!
Mas sinceramente?
NUNCA IMAGINEI UM DIA!
um beijinho e até o próximo!
tradução
sábado, 27 de outubro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Ela chegou!
Ontem recebi minha primeira correspondência do Brasil.
Com a modernidade e facilidades de emails, facebook e msn, as correspondências via Correios se tornaram obsoletas.
Ninguém escreve mais carta, manda um cartão de amor, saudade, felicidade ou por que está mesmo com vontade de escrever num papel.
Tenho procurado resgatar isso, agora que estou longe. Já mandei uns cartões e confesso que gostei bastante da experiência. Me lembrou a infância, quando descobri o selo e o poder que ele tinha de atravessar oceanos. Tenho essa coleção guardada, até hoje, para mostrar aos meus netos.
Mas a correspondência que recebi ontem não continha um cartão e nem estava no meu nome, mas o conteúdo daquele envelope fez toda diferença no meu dia.
Recebi minha carteira internacional para dirigir!
Quando aquele envelope chegou, às 7:30h da manhã, não acreditei!
Eu estava novamente apta para fazer algo que adoro! Dirigir!
Vocês não tem idéia da falta que eu sinto de dirigir. Sem poder dirigir, me sinto presa, amarrada, dependente.
Uma coisa é eu não querer dirigir, ( acho que nunca passei por essa situação, mas...) e outra coisa é eu não poder.
Estava sem carteira a mais ou menos 1 mês, pois quando vim para cá, recebi a informação que não havia necessidade dessa permissão internacional, pois nossa carteira de habilitação seria válida em todo mundo. E assim ficamos durante 2 meses. Sem nos preocuparmos com isso. Só que veio a informação correta e para alguns países nossa carteira não é válida e se fôssemos parados poderíamos ter o carro apreendido.
E não estou precisando desse tipo de emoção, nem mesmo para contar no blog, então só me restava mandar minha carteira de motorista para o Brasil e pedir ao anjo do meu irmão para enfrentar o Detran e fazer minha permissão internacional.
O serviço de Correios aqui é muito rápido, mas infelizmente não podemos dizer o mesmo do Brasil atualmente, e no dia que coloquei meus documentos nos Correios, o que aconteceu no Brasil? Greve dos Correios! Era tudo que eu não precisava! O tempo normal seria de 10 a 15 dias úteis para chegar, mais 2 dias para resolver burocracia do Detran e mais 10 ou 15 dias para voltar.
No dia que coloquei minha carteira nos Correios, a sensação que tive era de estar faltando alguma coisa em mim. Eu sabia que não poderia pegar no carro, nem para ir ao mercado. Nada!
Foi um mês difícil!
Tudo bem, que já falei que aqui não se pega o carro para quase nada, como no Brasil.
Não se pega o carro para dar uma voltinha para espantar o tédio ou o estresse. Isso se faz de trem ou metrô. Mas não poder pegar o carro nem para ir ao mercado ou para dividir a estrada quando fôssemos viajar?
Herdei essa paixão pela direção do meu pai, que era uma das coisas que ele mais amava na vida e uma das frases que ele sempre dizia era: "Se você tem medo de dirigir, nunca pegue no volante, pois direção e medo não combinam" E falava isso com tanto amor pelo volante que eu pensava: " Nunca terei medo de dirigir e farei da direção uma extensão da minha personalidade". E assim fiz e faço até hoje.
Então hoje, quando peguei minha jamanta ( apelido carinhoso para aquele carro enorme estacionado na frente da minha casa), ajustei o banco, espelhos, dei partida, liguei a seta e saí suavemente, me senti como criança que ganhou o presente que esperava ansiosamente.
Sim, ontem recebi um presente maravilhoso! E agora, as estradas me aguardam, para que possamos viver essa estranha história de amor!
um beijinho e até o próximo!
Com a modernidade e facilidades de emails, facebook e msn, as correspondências via Correios se tornaram obsoletas.
Ninguém escreve mais carta, manda um cartão de amor, saudade, felicidade ou por que está mesmo com vontade de escrever num papel.
Tenho procurado resgatar isso, agora que estou longe. Já mandei uns cartões e confesso que gostei bastante da experiência. Me lembrou a infância, quando descobri o selo e o poder que ele tinha de atravessar oceanos. Tenho essa coleção guardada, até hoje, para mostrar aos meus netos.
Mas a correspondência que recebi ontem não continha um cartão e nem estava no meu nome, mas o conteúdo daquele envelope fez toda diferença no meu dia.
Recebi minha carteira internacional para dirigir!
Eu estava novamente apta para fazer algo que adoro! Dirigir!
Vocês não tem idéia da falta que eu sinto de dirigir. Sem poder dirigir, me sinto presa, amarrada, dependente.
Uma coisa é eu não querer dirigir, ( acho que nunca passei por essa situação, mas...) e outra coisa é eu não poder.
Estava sem carteira a mais ou menos 1 mês, pois quando vim para cá, recebi a informação que não havia necessidade dessa permissão internacional, pois nossa carteira de habilitação seria válida em todo mundo. E assim ficamos durante 2 meses. Sem nos preocuparmos com isso. Só que veio a informação correta e para alguns países nossa carteira não é válida e se fôssemos parados poderíamos ter o carro apreendido.
E não estou precisando desse tipo de emoção, nem mesmo para contar no blog, então só me restava mandar minha carteira de motorista para o Brasil e pedir ao anjo do meu irmão para enfrentar o Detran e fazer minha permissão internacional.
O serviço de Correios aqui é muito rápido, mas infelizmente não podemos dizer o mesmo do Brasil atualmente, e no dia que coloquei meus documentos nos Correios, o que aconteceu no Brasil? Greve dos Correios! Era tudo que eu não precisava! O tempo normal seria de 10 a 15 dias úteis para chegar, mais 2 dias para resolver burocracia do Detran e mais 10 ou 15 dias para voltar.
No dia que coloquei minha carteira nos Correios, a sensação que tive era de estar faltando alguma coisa em mim. Eu sabia que não poderia pegar no carro, nem para ir ao mercado. Nada!
Foi um mês difícil!
Tudo bem, que já falei que aqui não se pega o carro para quase nada, como no Brasil.
Não se pega o carro para dar uma voltinha para espantar o tédio ou o estresse. Isso se faz de trem ou metrô. Mas não poder pegar o carro nem para ir ao mercado ou para dividir a estrada quando fôssemos viajar?
Herdei essa paixão pela direção do meu pai, que era uma das coisas que ele mais amava na vida e uma das frases que ele sempre dizia era: "Se você tem medo de dirigir, nunca pegue no volante, pois direção e medo não combinam" E falava isso com tanto amor pelo volante que eu pensava: " Nunca terei medo de dirigir e farei da direção uma extensão da minha personalidade". E assim fiz e faço até hoje.
Então hoje, quando peguei minha jamanta ( apelido carinhoso para aquele carro enorme estacionado na frente da minha casa), ajustei o banco, espelhos, dei partida, liguei a seta e saí suavemente, me senti como criança que ganhou o presente que esperava ansiosamente.
Sim, ontem recebi um presente maravilhoso! E agora, as estradas me aguardam, para que possamos viver essa estranha história de amor!
um beijinho e até o próximo!
sábado, 13 de outubro de 2012
Fiquei passada!
Hoje aconteceu um fato que se fosse no Brasil, a primeira coisa que falaríamos era que o brasileiro é malandro, que quer se dar bem, que somos atrasados, enfim, falaríamos muito mal, imaginando que nunca aconteceria em outro canto do mundo.
Mas vejam se não tive razão em me aborrecer:
Eu já comentei num dos primeiros post sobre um restaurante que serve churrasco rodízio. Parece que ele pertence a um português, mas tem nome e propaganda de churrascaria brasileira.
Eu já tinha comido lá com minha filha, na época das Olimpíadas, mas não tinha comido o rodízio, só o serviço de buffet. Então não saberia dizer se a comida lá era boa ou não. No dia que fui, não gostei de ver o serviço de rodízio e uma outra pessoa tinha dado referências negativas.
Como não sou fã de rodízio, nunca fiz questão de ir lá, mas meu filho é apaixonado por carne e estava sempre pedindo para ir. Então nessa semana, seu desejo foi satisfeito e ele foi com o pai.
Adoraram! Comeram tanto que passaram mal!
Sendo assim, o restaurante estava aprovado, como restaurante brasileiro em Londres.
Mas vejam se não tive razão em me aborrecer:
Eu já comentei num dos primeiros post sobre um restaurante que serve churrasco rodízio. Parece que ele pertence a um português, mas tem nome e propaganda de churrascaria brasileira.
Eu já tinha comido lá com minha filha, na época das Olimpíadas, mas não tinha comido o rodízio, só o serviço de buffet. Então não saberia dizer se a comida lá era boa ou não. No dia que fui, não gostei de ver o serviço de rodízio e uma outra pessoa tinha dado referências negativas.
Como não sou fã de rodízio, nunca fiz questão de ir lá, mas meu filho é apaixonado por carne e estava sempre pedindo para ir. Então nessa semana, seu desejo foi satisfeito e ele foi com o pai.
Adoraram! Comeram tanto que passaram mal!
Sendo assim, o restaurante estava aprovado, como restaurante brasileiro em Londres.
Por causa desse experiência positiva deles, meu marido resolveu marcar com os colegas de curso, para conhecerem a culinária brasileira, pois como já falei antes, ele faz um curso com pessoas de todas as partes do mundo e a maioria não conhece o Brasil.Seria uma forma interessante de mostrarmos nosso País para eles.
Sendo assim, meu marido, ontem, reservou em torno de 20 lugares para o jantarmos hoje a noite.
Depois de já ter confirmado a presença de todos, ele recebe uma ligação do restaurante para dizer que a reserva dele era das 18h até as 20:45.
Como assim, uma reserva numa churrascaria rodízio ser de 2:45min? E quem é que chega para jantar as 18h?
Tínhamos marcado as 19horas com todos, ou seja, só nos restaria 1:45min para comermos, conversarmos, pagarmos a conta e irmos embora como cachorros chutados.
Me senti extremamente enganada pela falta dessa informação no momento da reserva.
E como fazer? Não tínhamos tempo hábil para desmarcarmos com cada um e explicarmos o motivo.
Não podíamos simplesmente ignorar a reserva. Tínhamos que honrar aquele compromisso. Mas como dizer para as pessoas que teríamos que sair as 20:45min?
Que situação constrangedora nos deixou esse restaurante.
E o pior foi a desculpa que deram. Que tinham feito outra reserva grande para depois do nosso horário.
Fiquei passda e muito irritada. Sem vontade nenhuma de ir e ainda ter que pagar, mas não podia furar. Estávamos mostrando o nosso Brasil para aquelas pessoas. Fiquei de mãos atadas.
Confesso que fui com muita má vontade. E jurando que seria a última vez que pisaria ali.
Quando chegamos lá, outros já tinham chegado e já nos aguardavam. Aos poucos todos chegaram e o rodízio começou.
Realmente, em matéria de rodízio, não deixa nada a desejar de churrascaria brasileira. Não podemos comprar com uma Porcão ou uma Fogo de Chão, por que ai seria covardia, mas para quem não conhece nenhuma, para aqueles que amam carne ou para quem está com saudade de comida brasileira, então lá é ótimo.
Mas depois que cheguei procurei esquecer esse contratempo e tratar de distrair, rir, brincar, praticar inglês, enfim, aproveitar a noite de sábado.
Fizemos uma mesa com os adultos e outra mesa com os filhos. Ficou uma mesa muito bonita com nossos filhos.
![]() | ||||||
| Brasileiros, Colombianas, Chilenos e Coreana |
Não sei como foi resolvida a história de sairmos as 20:45min. Não sei se foi conversado e extendido o horário ou se simplesmente ignoramos o horário e o deixamos passar.
Só sei que saímos de lá mais de 21horas e ninguém veio nos mandar sair.
Saímos quando mais nenhum de nós aguentava mais comer e ainda tivemos direito a sobremesa.
Sem pressa!
Depois desse estresse inicial, a noite se revelou excelente. Foi mais uma oportunidade de trocarmos informações, aprendermos um pouquinho mais sobre outras culturas.
Aprendi até minhas primeiras palavras me coreano.
mas sobre isso contarei em outro post.
quando pensei em escrever esse post, era para dizer que não recomendo esse lugar para ninguém, mas depois de ver como todos ficaram satisfeitos, penso que posso mudar a recomendação para:
o restaurante é muito bom, a comida é excelente, MAS não reservem. Cheguem lá direto e fiquem até a hora que sentirem vontade de sair. Pois só assim não passarão pela saia justa que passamos e quase tivemos nossa noite estragada por algo que se fosse no Brasil, estaríamos espumando de raiva e querendo a cabeça do gerente.
Mas país de primeiro mundo é assim.Também tem suas diferenças e desvantagens, como em qualquer outro lugar.
Um beijinho e até o próximo.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Tinha uma pedra no caminho!
Quando contei sobre nossa visita aos castelos, quis deixar de fora a nossa viagem até lá. Foi proposital, pois foi uma viagem bastante emocionante e que merecia um post só para ela.
Saímos cedo de casa, por volta das 9 horas, para aproveitarmos bastante o sábado, chegarmos cedo nos castelos e podermos percorre-los sem nenhuma pressa.
A viagem é curta, dura no máximo 1h indo devagar.
Mas nem sempre o que desejamos é o que teremos. E fomos obrigados a aprendemos muita coisa antes de chegarmos ao nosso destino.
Ainda perto de casa, um carro nos fechou e obrigou meu marido a fazer uma manobra para esquerda que o levou direto para a calçada e sendo assim, rasgou nosso pneu. E no meio de uma avenida sem acostamento e claro, sem posto de gasolina!
Tínhamos acabado de passar por um e o próximo estava longe. Então sem chance de irmos devagar até lá.
O jeito era encostar o carro e trocar o pneu. Seria tão simples se estivéssemos num carro conhecido, brasileiro, com manual de instrução em português, mas não tínhamos nada disso.
para começar, tinha que tirar o estepe debaixo do carro. Retiramos as bolsas ( afinal iríamos passar o final de semana viajando), e começou a busca pelo local para abaixar o pneu. Na mala traseira, ficam mais 2 bancos recolhidos para quando tivermos mais de 3 passageiros e a alavanca fica por baixo desses bancos recolhidos. Nada fácil esse início de viagem. E isso sem mencionar o frio! 5°
Quando conseguiram colocar o pneu no chão, descobriram que ele era preso por um cordão de aço e que tinha um dispositivo enferrujado para soltá-lo. Tentaram de tudo. Bateram, pisaram, torceram, puxaram e nada adiantava. Pelo jeito esse pneu nunca tinha sido utilizado nesses 5 anos de vida do carro. Eu e minha filha, permanecíamos dentro do carro para não atrapalharmos aquele trabalho masculino.
Mas num determinado momento, mais de 1 hora depois, não aguentei e fui dar uma olhada. Meter a mão, literalmente!
Eles já tinham tentado de tudo, estavam de cabeça quente, já não enxergavam com clareza.
Enquanto meu marido saiu para procurar ajuda, me abaixei, mexi na geringonça e... voilá... eis que ela abriu... levei um susto...Meu filho perguntou: " como você fez isso?" E eu: " sei lá, não me peça para repetir..."
Agora era hora de trocar o pneu. Ainda nem tínhamos visto como fazê-lo.
Sugeri que tirassem o carro de onde estava, pois o macaco não entrava embaixo do carro, mas antes disso, precisávamos achar uma chave que tiraria a primeira parte da calota que iria expor os parafusos. Que pneu mais complicado de trocar.
Mas onde estaria essa chave? Procuramos por toda parte onde estavam as outras peças do carro e nada. Até que meu filho teve a idéia de olhar dentro do manual. E lá estava ela.
Inimaginável uma chave dentro do manual, mas era lá que ela se escondia de nós.
Nisso, mais 1 hora já tinha se passado. E nosso passeio estava ficando com 2 horas de atraso.
Depois disso, conseguimos trocar o pneu, e escrevo no plural, pois minha ajuda intelectual foi mais uma vez necessária, quando eles estava fazendo errado o movimento para levantarem o carro.
A frase que salvou o dia veio do meu filho: " mãe, você trocava pneu nas horas vagas?" tive que rir, pois era isso que parecia, que eu trocava pneu quando não tinha o que fazer.
Depois que o pneu estava trocado, veio a pergunta: " Onde tem um borracheiro? Alguém já viu um por aqui?" " NÃO!" É verdade, nunca tínhamos visto um borracheiro por aqui. Não tínhamos a mínima idéia de onde se troca pneu. A impressão que tínhamos é que ninguém fura pneu por aqui.
Paramos num posto de gasolina e perguntamos. E claro que o pessoal do posto não sabia. Nos informou que o mais próximo ficava uns 15 KM de distância. Não era possível essa informação ser correta. Saímos de lá dispostos a procurar e para nossa surpresa na esquina seguinte tinha uma loja da Bosch que trocava pneu. Não imaginaria nunca isso. A loja toda limpinha, parecia que só vendia e não trocava. Mas foi lá que conseguimos trocar. Só que para nossa surpresa, eles não colocaram o estepe no lugar. Não fazia parte do trabalho.
Realmente ainda temos muito que aprender. No Brasil, é inimaginável levar um pneu para trocar e o borracheiro jogar o pneu dentro do carro, sem colocá-lo no lugar.
Mas tudo bem! já tínhamos pneu novo e podíamos seguir nossa viagem com 3 horas de atraso.
Não começou exatamente como tínhamos previsto, mas conseguimos chegar sem mais nenhum susto.
Durante o trajeto pudemos relaxar, apreciar novas paisagens e esquecermos esse início.
tínhamos castelos e contos de fadas para descobrirmos e nesse mundo da fantasia, não existiam carros fechando outros, pneus estourados, trancas enferrujadas e borracheiros.
Eram os prícipes e princesas que quiseram ter seus finais felizes como estava sendo, enfim, o nosso final de semana!
Saímos cedo de casa, por volta das 9 horas, para aproveitarmos bastante o sábado, chegarmos cedo nos castelos e podermos percorre-los sem nenhuma pressa.
A viagem é curta, dura no máximo 1h indo devagar.
Mas nem sempre o que desejamos é o que teremos. E fomos obrigados a aprendemos muita coisa antes de chegarmos ao nosso destino.
Ainda perto de casa, um carro nos fechou e obrigou meu marido a fazer uma manobra para esquerda que o levou direto para a calçada e sendo assim, rasgou nosso pneu. E no meio de uma avenida sem acostamento e claro, sem posto de gasolina!
Tínhamos acabado de passar por um e o próximo estava longe. Então sem chance de irmos devagar até lá.
O jeito era encostar o carro e trocar o pneu. Seria tão simples se estivéssemos num carro conhecido, brasileiro, com manual de instrução em português, mas não tínhamos nada disso.
para começar, tinha que tirar o estepe debaixo do carro. Retiramos as bolsas ( afinal iríamos passar o final de semana viajando), e começou a busca pelo local para abaixar o pneu. Na mala traseira, ficam mais 2 bancos recolhidos para quando tivermos mais de 3 passageiros e a alavanca fica por baixo desses bancos recolhidos. Nada fácil esse início de viagem. E isso sem mencionar o frio! 5°
Quando conseguiram colocar o pneu no chão, descobriram que ele era preso por um cordão de aço e que tinha um dispositivo enferrujado para soltá-lo. Tentaram de tudo. Bateram, pisaram, torceram, puxaram e nada adiantava. Pelo jeito esse pneu nunca tinha sido utilizado nesses 5 anos de vida do carro. Eu e minha filha, permanecíamos dentro do carro para não atrapalharmos aquele trabalho masculino.
Mas num determinado momento, mais de 1 hora depois, não aguentei e fui dar uma olhada. Meter a mão, literalmente!
Eles já tinham tentado de tudo, estavam de cabeça quente, já não enxergavam com clareza.
Enquanto meu marido saiu para procurar ajuda, me abaixei, mexi na geringonça e... voilá... eis que ela abriu... levei um susto...Meu filho perguntou: " como você fez isso?" E eu: " sei lá, não me peça para repetir..."
Agora era hora de trocar o pneu. Ainda nem tínhamos visto como fazê-lo.
Sugeri que tirassem o carro de onde estava, pois o macaco não entrava embaixo do carro, mas antes disso, precisávamos achar uma chave que tiraria a primeira parte da calota que iria expor os parafusos. Que pneu mais complicado de trocar.
Mas onde estaria essa chave? Procuramos por toda parte onde estavam as outras peças do carro e nada. Até que meu filho teve a idéia de olhar dentro do manual. E lá estava ela.
Inimaginável uma chave dentro do manual, mas era lá que ela se escondia de nós.
Nisso, mais 1 hora já tinha se passado. E nosso passeio estava ficando com 2 horas de atraso.
Depois disso, conseguimos trocar o pneu, e escrevo no plural, pois minha ajuda intelectual foi mais uma vez necessária, quando eles estava fazendo errado o movimento para levantarem o carro.
A frase que salvou o dia veio do meu filho: " mãe, você trocava pneu nas horas vagas?" tive que rir, pois era isso que parecia, que eu trocava pneu quando não tinha o que fazer.
Depois que o pneu estava trocado, veio a pergunta: " Onde tem um borracheiro? Alguém já viu um por aqui?" " NÃO!" É verdade, nunca tínhamos visto um borracheiro por aqui. Não tínhamos a mínima idéia de onde se troca pneu. A impressão que tínhamos é que ninguém fura pneu por aqui.
Paramos num posto de gasolina e perguntamos. E claro que o pessoal do posto não sabia. Nos informou que o mais próximo ficava uns 15 KM de distância. Não era possível essa informação ser correta. Saímos de lá dispostos a procurar e para nossa surpresa na esquina seguinte tinha uma loja da Bosch que trocava pneu. Não imaginaria nunca isso. A loja toda limpinha, parecia que só vendia e não trocava. Mas foi lá que conseguimos trocar. Só que para nossa surpresa, eles não colocaram o estepe no lugar. Não fazia parte do trabalho.
Realmente ainda temos muito que aprender. No Brasil, é inimaginável levar um pneu para trocar e o borracheiro jogar o pneu dentro do carro, sem colocá-lo no lugar.
Mas tudo bem! já tínhamos pneu novo e podíamos seguir nossa viagem com 3 horas de atraso.
Não começou exatamente como tínhamos previsto, mas conseguimos chegar sem mais nenhum susto.
Durante o trajeto pudemos relaxar, apreciar novas paisagens e esquecermos esse início.
tínhamos castelos e contos de fadas para descobrirmos e nesse mundo da fantasia, não existiam carros fechando outros, pneus estourados, trancas enferrujadas e borracheiros.
Eram os prícipes e princesas que quiseram ter seus finais felizes como estava sendo, enfim, o nosso final de semana!
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Felizes para sempre!
Cada vez que visito um castelo, sempre lembro das histórias infantis que terminavam com a frase mais famosa do mundo: " E foram felizes para sempre" e me pergunto como viveram as pessoas naqueles locais.
Foram felizes durante suas vidas? Quantos sorrisos, lágrimas, guerras, vitórias, nascimento e morte, aquelas paredes testemunharam?
Quantas pessoas subiram por aquelas escadas?
O que pensavam, o que sentiam?
Visitar um castelo é entrar dentro da história e construir a sua. É uma viagem sem fim, onde a imaginação nos leva a percorrer corredores com uma curiosidade infantil e quase escutando as vozes daqueles que um dia foram donos daquele lugar.
Nesse final de semana tive a oportunidade de visitar dois castelos.
Um deles foi habitado até a década de 70 e hoje é mantido por uma fundação para visitação pública. É o castelo de Leeds.
Só pelo local onde ele se situa, já vale a visita. Que vista! Que paz!
Nem os imensos grupos de excursão conseguiam perturbar. ( tudo bem! dentro do palácio, eles incomodavam um pouco! )
Esse castelo está mantido como era usado pela última família. Então pudemos ver os cômodos com seus móveis originais. As salas imensas, os vários quartos, biblioteca ( fiquei apaixonada),
sala de banho e muitos e muitos outros lugares. E cada um tinha seu mistério e encanto.
Passamos a manhã inteira numa aula de história.
Aquele castelo serviu de base para aliados ingleses na Guerra. Reuniões secretas eram realizada ali. Era local de esconderijo para feridos da Guerra.Além da beleza natural, existia a beleza histórica.
E foi ali que vi pela primeira vez, o cisne negro. O interessante é que vi o filme, ( adorei, por sinal!) mas nunca me passou pela cabeça a idéia da existência de cisne negro. ( como não sou muito amante de aves, então não fico pensando na existência delas! sorry!) Mas ele é lindo! E incrível! Mais lindo que o cisne branco e ainda posa para foto, como se sabedor de sua imensa beleza rara! Uma figura, esse cisne negro! Fiquei fã! Mas não a ponto de querer uma foto coladinha com sua majestade o cisne negro!
No dia seguinte, fomos visitar um outro castelo.O castelo de Rochester. Mas dessa vez, era um castelo em ruínas, com mais de um século de existência.
E dessa vez, fizemos questão de entrar!
Nunca tinha entrado num castelo em ruínas antes. Já cheguei bem perto, mas ainda não tinha surgido o desejo de entrar. mas dessa vez foi diferente!
Olhei para aquelas torres e me deu vontade de ver o que as pessoas viam quando chegavam lá em cima.
Quando comecei a subir, lembrei de alguns filmes medievais que assisti e me perguntava como as pessoas conseguiam correr naquelas escadas tão estreitas e em caracol? Agora tem corrimão para nos segurarmos, mas fiquei imaginando os tombos dos pobres trabalhadores e soldados desatentos.
Será que eles riam uns dos outros quando isso acontecia? Bater com a cabeça deveria ser pelo menos umas 5 vezes ao dia. Mas isso só em tempo de paz. Creio que nos tempos de guerra, onde o castelo estava para ser invadido, não havia tempo para tombos, escorregões e muito menos pancadas na cabeça. Qualquer deslize, seria fatal, literalmente!
Mas não me pareceu ser um castelo feminio. A impressão que fiquei foi que somente os homens poderiam viver ali. Não consegui imaginar histórias românticas naquele castelo. Principalemente quando cheguei na torre.
A visão é linda! Mas o frio castiga lá em cima.
Ali, naquele lugar, eu consegui entender as cenas de vários filmes. Consegui perceber a dureza que foi a vida naquela época, durante os tempos de conflito.
Adorei esse castelo! A história que ele representa, a fortaleza que ele preserva, mesmo com mais de um século de vida, não tinha como não ficar encantada!
Depois de visitar esses castelos, pude perceber o por que das histórias infantis terminarem com o felizes para sempre.
Não posso dizer que reis, rainhas, prícipes e princesas foram felizes, mas com certeza, suas histórias, seus castelos e suas vidas fazem a felicidade para cada pessoa que por ali passa e se permite sonhar e formar o seu enredo. Sendo assim, eu acredito em final feliz para sempre. O meu, o seu e o nosso!
Um beijinho e até o próximo!
Foram felizes durante suas vidas? Quantos sorrisos, lágrimas, guerras, vitórias, nascimento e morte, aquelas paredes testemunharam?
Quantas pessoas subiram por aquelas escadas?
O que pensavam, o que sentiam?
Visitar um castelo é entrar dentro da história e construir a sua. É uma viagem sem fim, onde a imaginação nos leva a percorrer corredores com uma curiosidade infantil e quase escutando as vozes daqueles que um dia foram donos daquele lugar.
Nesse final de semana tive a oportunidade de visitar dois castelos.
Um deles foi habitado até a década de 70 e hoje é mantido por uma fundação para visitação pública. É o castelo de Leeds.
Só pelo local onde ele se situa, já vale a visita. Que vista! Que paz!
Nem os imensos grupos de excursão conseguiam perturbar. ( tudo bem! dentro do palácio, eles incomodavam um pouco! )
Esse castelo está mantido como era usado pela última família. Então pudemos ver os cômodos com seus móveis originais. As salas imensas, os vários quartos, biblioteca ( fiquei apaixonada),
sala de banho e muitos e muitos outros lugares. E cada um tinha seu mistério e encanto.
Passamos a manhã inteira numa aula de história.
Aquele castelo serviu de base para aliados ingleses na Guerra. Reuniões secretas eram realizada ali. Era local de esconderijo para feridos da Guerra.Além da beleza natural, existia a beleza histórica.
E foi ali que vi pela primeira vez, o cisne negro. O interessante é que vi o filme, ( adorei, por sinal!) mas nunca me passou pela cabeça a idéia da existência de cisne negro. ( como não sou muito amante de aves, então não fico pensando na existência delas! sorry!) Mas ele é lindo! E incrível! Mais lindo que o cisne branco e ainda posa para foto, como se sabedor de sua imensa beleza rara! Uma figura, esse cisne negro! Fiquei fã! Mas não a ponto de querer uma foto coladinha com sua majestade o cisne negro!
No dia seguinte, fomos visitar um outro castelo.O castelo de Rochester. Mas dessa vez, era um castelo em ruínas, com mais de um século de existência.
E dessa vez, fizemos questão de entrar!
Nunca tinha entrado num castelo em ruínas antes. Já cheguei bem perto, mas ainda não tinha surgido o desejo de entrar. mas dessa vez foi diferente!
Olhei para aquelas torres e me deu vontade de ver o que as pessoas viam quando chegavam lá em cima.
Quando comecei a subir, lembrei de alguns filmes medievais que assisti e me perguntava como as pessoas conseguiam correr naquelas escadas tão estreitas e em caracol? Agora tem corrimão para nos segurarmos, mas fiquei imaginando os tombos dos pobres trabalhadores e soldados desatentos.
Será que eles riam uns dos outros quando isso acontecia? Bater com a cabeça deveria ser pelo menos umas 5 vezes ao dia. Mas isso só em tempo de paz. Creio que nos tempos de guerra, onde o castelo estava para ser invadido, não havia tempo para tombos, escorregões e muito menos pancadas na cabeça. Qualquer deslize, seria fatal, literalmente!
Mas não me pareceu ser um castelo feminio. A impressão que fiquei foi que somente os homens poderiam viver ali. Não consegui imaginar histórias românticas naquele castelo. Principalemente quando cheguei na torre.
A visão é linda! Mas o frio castiga lá em cima.
Ali, naquele lugar, eu consegui entender as cenas de vários filmes. Consegui perceber a dureza que foi a vida naquela época, durante os tempos de conflito.
Adorei esse castelo! A história que ele representa, a fortaleza que ele preserva, mesmo com mais de um século de vida, não tinha como não ficar encantada!
Depois de visitar esses castelos, pude perceber o por que das histórias infantis terminarem com o felizes para sempre.
Não posso dizer que reis, rainhas, prícipes e princesas foram felizes, mas com certeza, suas histórias, seus castelos e suas vidas fazem a felicidade para cada pessoa que por ali passa e se permite sonhar e formar o seu enredo. Sendo assim, eu acredito em final feliz para sempre. O meu, o seu e o nosso!
Um beijinho e até o próximo!
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
O tempo voa!
Ontem fui num evento, que apesar dos vários anos casada com militar, ainda não tinha participado.
Um coquetel a bordo do navio escola Brasil!
E foi como rever meu marido, na época noivo, fazendo sua viagem.
Explico melhor.
Esse navio brasileiro, leva os alunos que se formaram na Escola Naval e serão os futuros oficiais da Marinha do Brasil, para uma viagem de instrução por vários países e dura vários meses.
Em cada porto que atracam, eles representam o Brasil, então há um coquetel para as autoridades locais e convidados.
Durante esse coquetel, os guardas-marinha, que são os futuros oficiais, nos apresentam o navio, para que possamos conhecer um pouquinho mais a rotina diária durante as viagens e também para quem não conhece, o interior de um navio.
Então na madrugada de sexta-feira, o navio atracou aqui em Londres, apos 2 meses que saiu do Brasil.
Nessa viagem está um guarda-marinha que é amigo de infância do meu filho, os dois fizeram colégio militar juntos e sempre foram excelentes garotos ( não é por ser meu filho, pois todos que o conhecem falam isso!) Só que ele resolveu seguir a carreira do pai e meu filho resolveu seguir por outro caminho, mas a amizade continuou.
Quando chegamos a bordo, o navio estava todo preparado, lindo e atracado em frente a Tower Bridge, que é outro espetáculo!
Entrar a bordo do navio escola, me fez voltar no tempo, pois ao ver todos aqueles garotos, todos novos, em torno de 22, 23 anos, com seus rostinhos cheios de sonhos, maravilhados com cada descoberta e querendo compartilhar, me fez lembrar quando meu marido embarcou para sua viagem. Em cada porto, ele mandava um cartão, escrevia cartas ( tenho tudo guardado até hoje), contava as novidades e falava sempre sobre esses coquetéis.
Ontem pude ver como é o trabalho desses garotos durante o coquetel. Apesar de ser um momento de festa para quem visita, é um momento de trabalho para quem está escalado. Tudo precisa sair perfeito, as pessoas estão ali para conhecerem um pouquinho do Brasil, e esses garotos, além dos oficiais do navio, claro, tem a obrigação de passar a melhor imagem possível para seus convidados.
Achei lindo! Fiquei observando os garotos mostrando várias e várias vezes o mapa mundi, com os países já visitados e os que ainda faltam. Repetiam várias vezes as mesmas respostas, pois as perguntas não variam muito.
E observadora que sou, fui vendo aqueles que estavam amando dar informações. Aqueles que estavam com o coração naquele lugar.
Muitos daqueles garotos foram voluntários para estarem ali naquele dia e horário. Eles já poderiam estar curtindo a noite londrina, mas estavam ali com um sorriso no rosto.
Nosso guia foi o amigo de meu filho, e nem preciso dizer que foi perfeito!
Eu olhava para ele falando e via meu marido falando a muitos anos atrás, quando me mostrou um navio pela primeira vez. Ali é a segunda casa deles, nesse momento. É para lá que eles retornam depois de seus passeios.
Durante o coquetel, também pude matar a saudade de produtos brasileiros e o melhor, do tempero brasileiro. Quando comi um salgadinho ( tão comum em nossos festas brasileiras, mas inexistentes aqui) achei que estava comendo o manjar dos deuses. O estrogonofe de carne, que já é banal no Brasil, foi como comer lagosta ( para os que gostam!) Só na repeti, por que fiquei com medo de passar mal, pois já era tarde! mas eu sabia que no dia seguinte, iria me arrepender e sentir saudades.
Mas eu adorei cada minuto.
Não senti saudades do tempo de noiva de guarda-marinha, mas olhei para aqueles jovens com os olhos de 30 anos de experiência ao lado de um militar e pedi a Deus que cada um encontre uma pessoa que os acompanhe nessa escolha profissional que fizeram, com o mesmo gosto e amor pelos mares da vida.
Saí de lá feliz!
Certa de que, se hoje estou em Londres, foi por que a muitos anos atrás eu acreditei naquele olhar sonhador e que ontem revi em cada garoto que ali representava o meu país!
Um coquetel a bordo do navio escola Brasil!
E foi como rever meu marido, na época noivo, fazendo sua viagem.
Explico melhor.
Esse navio brasileiro, leva os alunos que se formaram na Escola Naval e serão os futuros oficiais da Marinha do Brasil, para uma viagem de instrução por vários países e dura vários meses.
Em cada porto que atracam, eles representam o Brasil, então há um coquetel para as autoridades locais e convidados.
Durante esse coquetel, os guardas-marinha, que são os futuros oficiais, nos apresentam o navio, para que possamos conhecer um pouquinho mais a rotina diária durante as viagens e também para quem não conhece, o interior de um navio.
Então na madrugada de sexta-feira, o navio atracou aqui em Londres, apos 2 meses que saiu do Brasil.
Nessa viagem está um guarda-marinha que é amigo de infância do meu filho, os dois fizeram colégio militar juntos e sempre foram excelentes garotos ( não é por ser meu filho, pois todos que o conhecem falam isso!) Só que ele resolveu seguir a carreira do pai e meu filho resolveu seguir por outro caminho, mas a amizade continuou.
Quando chegamos a bordo, o navio estava todo preparado, lindo e atracado em frente a Tower Bridge, que é outro espetáculo!
Entrar a bordo do navio escola, me fez voltar no tempo, pois ao ver todos aqueles garotos, todos novos, em torno de 22, 23 anos, com seus rostinhos cheios de sonhos, maravilhados com cada descoberta e querendo compartilhar, me fez lembrar quando meu marido embarcou para sua viagem. Em cada porto, ele mandava um cartão, escrevia cartas ( tenho tudo guardado até hoje), contava as novidades e falava sempre sobre esses coquetéis.
Ontem pude ver como é o trabalho desses garotos durante o coquetel. Apesar de ser um momento de festa para quem visita, é um momento de trabalho para quem está escalado. Tudo precisa sair perfeito, as pessoas estão ali para conhecerem um pouquinho do Brasil, e esses garotos, além dos oficiais do navio, claro, tem a obrigação de passar a melhor imagem possível para seus convidados.
Achei lindo! Fiquei observando os garotos mostrando várias e várias vezes o mapa mundi, com os países já visitados e os que ainda faltam. Repetiam várias vezes as mesmas respostas, pois as perguntas não variam muito.
E observadora que sou, fui vendo aqueles que estavam amando dar informações. Aqueles que estavam com o coração naquele lugar.
Muitos daqueles garotos foram voluntários para estarem ali naquele dia e horário. Eles já poderiam estar curtindo a noite londrina, mas estavam ali com um sorriso no rosto.
Nosso guia foi o amigo de meu filho, e nem preciso dizer que foi perfeito!
Eu olhava para ele falando e via meu marido falando a muitos anos atrás, quando me mostrou um navio pela primeira vez. Ali é a segunda casa deles, nesse momento. É para lá que eles retornam depois de seus passeios.
Durante o coquetel, também pude matar a saudade de produtos brasileiros e o melhor, do tempero brasileiro. Quando comi um salgadinho ( tão comum em nossos festas brasileiras, mas inexistentes aqui) achei que estava comendo o manjar dos deuses. O estrogonofe de carne, que já é banal no Brasil, foi como comer lagosta ( para os que gostam!) Só na repeti, por que fiquei com medo de passar mal, pois já era tarde! mas eu sabia que no dia seguinte, iria me arrepender e sentir saudades.
Mas eu adorei cada minuto.
Não senti saudades do tempo de noiva de guarda-marinha, mas olhei para aqueles jovens com os olhos de 30 anos de experiência ao lado de um militar e pedi a Deus que cada um encontre uma pessoa que os acompanhe nessa escolha profissional que fizeram, com o mesmo gosto e amor pelos mares da vida.
Saí de lá feliz!
Certa de que, se hoje estou em Londres, foi por que a muitos anos atrás eu acreditei naquele olhar sonhador e que ontem revi em cada garoto que ali representava o meu país!
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Primeiro evento social-oficial
Na sexta feira passada ( 21/09) tive meu primeiro evento social, onde encontraria e conheceria outras esposas de militares que estão fazendo o mesmo curso que meu marido. Cada uma de um país diferente. Até escrevi, rapidamento sobre isso, no facebook.
Mas nesse dia, foi um encontro descontraído, que eu, a princípio, não queria ir, pois era à noite, estava frio, e teria que falar inglês o tempo todo. Mas me deixei convencer e fui.
Saí de lá muito satisfeita com as novas amizades e os novos conhecimentos culturais. A noite foi perfeita.
Mas hoje, tive o primeiro evento oficial organizado para que todas as esposas dos militares estudantes do Royal College, conhecessem o local, a história, a missão do Royal College e também para nos conhecerem e podermos conhecer as outras esposas.
Confesso que quando soube desse evento, fiquei extremamente ansiosa e preocupada, pois o primeiro pensamento foi: " o meu inglês já está pronto?" "entenderei alguma coisa?"
Nesse evento eu estaria sozinha, sem meu marido para me socorrer caso eu me enrolasse, era eu e eu.
Mas por causa do jantar informal da sexta, acordei me sentindo mais segura, pois já tinha conhecido outras 3 esposas, sendo que a coreana não iria, então tinha a chilena ( ótimo, qualquer coisa, falaríamos em portunhol) e a sérvia ( que fala inglês, mas bem devagar, dá para entender tudo).
Saí de casa bem tranquila, procurando não pensar em como seria, o que aconteceria, o que falariam. Saí de casa sem criar nenhuma expectativa. Saí como se estivese indo as compras ( pena que não deu tempo, pois passei na frente das melhores lojas de Londres).
A minha desvantagem era que as outras esposas moram na vila militar, então iriam todas juntas no ônibus fretado para levá-las e eu moro afastada ( por opção) então iria sozinha mesmo.
mas saí bem animada:
Um frio de rachar, mas não mudou meu humor.
Cheguei lá antes do ônibus que estava trazendo as minhas "amigas".
Nessa hora, deu um frio na espinha, pois eu já tinha dado algumas voltas antes de entrar no prédio, para fazer hora e estava chovendo, não dava para ficar na rua. Não tinha opção. Eu tinha que entrar.
Quando entrei, me identifiquei sem problema ( inglês tranquilo, tranquilo), e fui levada a uma sala onde estava sendo servido o chá.
Gelei! Quando entrei na sala, outras 4 esposas já tinham chegado e conversavam animadamente.
Em que língua? Inglês! Claro!
Não tinha nenhuma esposa ainda de país latino americano ou espanhol.
Assim que sentei, todas se voltaram para mim, para ver o que eu iria falar.
Me passou tanta coisa pela cabeça, tantas perguntas, tantas respostas, tantos assuntos e naqueles segundos eu emburreci de tal forma que não consegui abrir a boca e ser a primeira a quebrar o gelo.
Me senti desconfortável naquele momento! queria fugir, desaparecer, sair correndo!
confesso que tudo isso também passou pela minha cabeça! Mas me mantive ali, firme, sem tirar o pé do lugar.
Então, uma das esposas se dirigiu a mim e perguntou se não queria chá ou café. Respondo que não, obrigada e ela pergunta de onde sou.
Ufa! Ela quebrou o gelo!
digo que sou do Brasil, e começamos a apresentação uma das outras. Das 4 que estavam lá, só consegui entender a da Alemanha e da Austrália, mas que mora a mais de 20 anos aqui, então se considera inglesa. As outras 2, não tenho a mínima idéia, falaram rápido e baixo.
Ai também é querer demais do meu pobre ouvido brasileiro. Inglês rápido e baixo, acho que nem em 100 anos eu aprendo.
Depois disso, consegui manter uma conversa com essas duas que estavam ao meu lado, a australiana, tinha um inglês bem fácil de entender, sem sotaque e falava lentamente, até mesmo para eu poder acompanhar.
Graças a Deus, quando se fala que não se é bom em inglês, algumas pessoas são compreensivas e procuram ajudar.
Depois de pelo menos meia hora, chegaram as outras esposas. Me senti aliviada quando vi a chilena. Poderia falar, nem que fossem algumas palavras em portunhol. Ela não tem um bom inglês, está no mesmo nível que o meu, então procuramos falar em inglês para treinar, mas quando não sabemos a palavra, então recorremos ao nosso vocabulário. Mas sabemos que não podemos usar o espanhol, pois seria uma grande falta de educação e para nós também não é bom, pois nessas oportunidades é que treinamos nossos ouvidos e fala.
Depois do chá, fomos convidadas a assistirmos uma palestra, que era o objetivo da visita.
Falei para a chilena e a sérvia. Vou apertar o botão turn off. ( desligar), pois na minha cabeça, eu não iria entender nada mesmo, então nem me daria ao trabalho de tentar. Segundo meu marido, a senhora que daria a palestra tinha um inglês horrível, difícil de entender e que muitos alunos não entendem nada do que ela fala. Agora imagina uma palestra inteira com ela. Decididamente era melhor desligar a mente.
Mas não foi isso que aconteceu. Ela falou pouco e a palestra foi dada por um oficial da marinha real britânica, que fez questão de falar logo no início que falaria bem devagar, pois entendia que a maioria das esposas ali, não tinha o inglês como primeira língua. Que delicado e educado! Bem britânico mesmo!
Nessa hora, decidi entender o máximo que pudesse. Fiquei completamente ligada.
E para minha surpresa, entendi praticamente tudo.
Falei depois para meu filho, que eu não sei se o inglês já está entrando na minha cabeça ou se o fato de ser psicóloga e ser treinada para observar, faz com que eu perceba e entenda com mais facilidade.
mas o fato, foi que entendi tudo que tinha de importante para entender.
Depois dessa palestra, estava encerrada a visita.
O prédio onde está situada o Royal College é lindo. Bem inglês. Parece que estava dentro de um castelo.
Saí de lá com a sensação de dever cumprido. Fiquei satisfeita com o nível de entendimento que tive, mas ao mesmo tempo, confesso que em alguns momentos, no caminho de volta para casa, me senti deprimida, por não dominar completamente o inglês. Eu já entendo bastante, já escrevo, já posso manter uma conversa, mas eu quero mais. Eu quero poder sentar em qualquer roda de pessoas e poder entender tudo, quero poder participar de forma integral e não de forma parcial.
Eu adoro conversar, tenho uma curiosidade imensa sobre seres humanos, sobre outras culturas e não quero que a barreira da língua me impeça de aprender, de aumentar minha bagagem de conhecimento.
Sei que é uma cobrança absurda que me faço, mas não vejo outro caminho para alcançar meus objetivos que não seja me esforçando cada dia mais e não deixando que meu lado tatu bola prevaleça.
Podem ter certeza que é uma luta diária, mas tenho como aliado forte, essa vontade e fome e de conhecimento que me move. Então, por enquanto, o tatu bola, está guardado para meu retorno ao Brasil. Até lá, estou mais para coruja, olhando para todos os lados e aprendendo cada dia mais.
Um beijinho e até o próximo.
Mas nesse dia, foi um encontro descontraído, que eu, a princípio, não queria ir, pois era à noite, estava frio, e teria que falar inglês o tempo todo. Mas me deixei convencer e fui.
Saí de lá muito satisfeita com as novas amizades e os novos conhecimentos culturais. A noite foi perfeita.
Mas hoje, tive o primeiro evento oficial organizado para que todas as esposas dos militares estudantes do Royal College, conhecessem o local, a história, a missão do Royal College e também para nos conhecerem e podermos conhecer as outras esposas.
Confesso que quando soube desse evento, fiquei extremamente ansiosa e preocupada, pois o primeiro pensamento foi: " o meu inglês já está pronto?" "entenderei alguma coisa?"
Nesse evento eu estaria sozinha, sem meu marido para me socorrer caso eu me enrolasse, era eu e eu.
Mas por causa do jantar informal da sexta, acordei me sentindo mais segura, pois já tinha conhecido outras 3 esposas, sendo que a coreana não iria, então tinha a chilena ( ótimo, qualquer coisa, falaríamos em portunhol) e a sérvia ( que fala inglês, mas bem devagar, dá para entender tudo).
Saí de casa bem tranquila, procurando não pensar em como seria, o que aconteceria, o que falariam. Saí de casa sem criar nenhuma expectativa. Saí como se estivese indo as compras ( pena que não deu tempo, pois passei na frente das melhores lojas de Londres).
A minha desvantagem era que as outras esposas moram na vila militar, então iriam todas juntas no ônibus fretado para levá-las e eu moro afastada ( por opção) então iria sozinha mesmo.
mas saí bem animada:
Um frio de rachar, mas não mudou meu humor.
Cheguei lá antes do ônibus que estava trazendo as minhas "amigas".
Nessa hora, deu um frio na espinha, pois eu já tinha dado algumas voltas antes de entrar no prédio, para fazer hora e estava chovendo, não dava para ficar na rua. Não tinha opção. Eu tinha que entrar.
Quando entrei, me identifiquei sem problema ( inglês tranquilo, tranquilo), e fui levada a uma sala onde estava sendo servido o chá.
Gelei! Quando entrei na sala, outras 4 esposas já tinham chegado e conversavam animadamente.
Em que língua? Inglês! Claro!
Não tinha nenhuma esposa ainda de país latino americano ou espanhol.
Assim que sentei, todas se voltaram para mim, para ver o que eu iria falar.
Me passou tanta coisa pela cabeça, tantas perguntas, tantas respostas, tantos assuntos e naqueles segundos eu emburreci de tal forma que não consegui abrir a boca e ser a primeira a quebrar o gelo.
Me senti desconfortável naquele momento! queria fugir, desaparecer, sair correndo!
confesso que tudo isso também passou pela minha cabeça! Mas me mantive ali, firme, sem tirar o pé do lugar.
Então, uma das esposas se dirigiu a mim e perguntou se não queria chá ou café. Respondo que não, obrigada e ela pergunta de onde sou.
Ufa! Ela quebrou o gelo!
digo que sou do Brasil, e começamos a apresentação uma das outras. Das 4 que estavam lá, só consegui entender a da Alemanha e da Austrália, mas que mora a mais de 20 anos aqui, então se considera inglesa. As outras 2, não tenho a mínima idéia, falaram rápido e baixo.
Ai também é querer demais do meu pobre ouvido brasileiro. Inglês rápido e baixo, acho que nem em 100 anos eu aprendo.
Depois disso, consegui manter uma conversa com essas duas que estavam ao meu lado, a australiana, tinha um inglês bem fácil de entender, sem sotaque e falava lentamente, até mesmo para eu poder acompanhar.
Graças a Deus, quando se fala que não se é bom em inglês, algumas pessoas são compreensivas e procuram ajudar.
Depois de pelo menos meia hora, chegaram as outras esposas. Me senti aliviada quando vi a chilena. Poderia falar, nem que fossem algumas palavras em portunhol. Ela não tem um bom inglês, está no mesmo nível que o meu, então procuramos falar em inglês para treinar, mas quando não sabemos a palavra, então recorremos ao nosso vocabulário. Mas sabemos que não podemos usar o espanhol, pois seria uma grande falta de educação e para nós também não é bom, pois nessas oportunidades é que treinamos nossos ouvidos e fala.
Depois do chá, fomos convidadas a assistirmos uma palestra, que era o objetivo da visita.
Falei para a chilena e a sérvia. Vou apertar o botão turn off. ( desligar), pois na minha cabeça, eu não iria entender nada mesmo, então nem me daria ao trabalho de tentar. Segundo meu marido, a senhora que daria a palestra tinha um inglês horrível, difícil de entender e que muitos alunos não entendem nada do que ela fala. Agora imagina uma palestra inteira com ela. Decididamente era melhor desligar a mente.
Mas não foi isso que aconteceu. Ela falou pouco e a palestra foi dada por um oficial da marinha real britânica, que fez questão de falar logo no início que falaria bem devagar, pois entendia que a maioria das esposas ali, não tinha o inglês como primeira língua. Que delicado e educado! Bem britânico mesmo!
Nessa hora, decidi entender o máximo que pudesse. Fiquei completamente ligada.
E para minha surpresa, entendi praticamente tudo.
Falei depois para meu filho, que eu não sei se o inglês já está entrando na minha cabeça ou se o fato de ser psicóloga e ser treinada para observar, faz com que eu perceba e entenda com mais facilidade.
mas o fato, foi que entendi tudo que tinha de importante para entender.
Depois dessa palestra, estava encerrada a visita.
O prédio onde está situada o Royal College é lindo. Bem inglês. Parece que estava dentro de um castelo.
Saí de lá com a sensação de dever cumprido. Fiquei satisfeita com o nível de entendimento que tive, mas ao mesmo tempo, confesso que em alguns momentos, no caminho de volta para casa, me senti deprimida, por não dominar completamente o inglês. Eu já entendo bastante, já escrevo, já posso manter uma conversa, mas eu quero mais. Eu quero poder sentar em qualquer roda de pessoas e poder entender tudo, quero poder participar de forma integral e não de forma parcial.
Eu adoro conversar, tenho uma curiosidade imensa sobre seres humanos, sobre outras culturas e não quero que a barreira da língua me impeça de aprender, de aumentar minha bagagem de conhecimento.
Sei que é uma cobrança absurda que me faço, mas não vejo outro caminho para alcançar meus objetivos que não seja me esforçando cada dia mais e não deixando que meu lado tatu bola prevaleça.
Podem ter certeza que é uma luta diária, mas tenho como aliado forte, essa vontade e fome e de conhecimento que me move. Então, por enquanto, o tatu bola, está guardado para meu retorno ao Brasil. Até lá, estou mais para coruja, olhando para todos os lados e aprendendo cada dia mais.
Um beijinho e até o próximo.
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