Finalmente, depois de 1 semana correndo atrás de documentos, emplacamento e meia hora de treino pelas ruas, estou habilitada a dirigir pelas ruas de Londres.
Essa semana foi loucura! Corre corre total!
Não parei 1 minuto. Turismo? Nem pensar.
Aqui para transferir o carro de um dono para outro, o novo dono é que vai correr atrás de tudo.
Primeiro tem que fazer um seguro no nome das pessoas que irão dirigir o carro. E não é barato esse seguro.
Na semana passada, fui com minha filha fazer o seguro, levar os documentos na seguradora e fiz o pagamento em 2 cheques, que pedi a um nativo para me ajudar a preencher.
Eu que não sou daqui, fiquei confusa com o cheque, então nada melhor do que alguém que more aqui a muitos anos para saber. Essa é a teoria, mas na prática, não foi isso que aconteceu.
Levei os cheques, o rapaz da seguradora viu, não falou nada, então para mim, estava tudo certo.
Certo? Errado!
Quando chegou essa semana, recebo uma carta do banco, dizendo que não tinha sido pago o cheque, pois não estava nominal. Claro que eu não coloquei nominal, afinal no Brasil, quando não sabemos o nome da empresa, deixamos em branco e quem recebe o cheque, coloca seu nome ou o nome da empresa. Mas aqui não é assim. Então, quando tudo parecia certo com o seguro, chega essa carta e lá vou eu, correndo, para o centro da cidade trocar os cheques.
O rapaz me pede milhões de desculpas. Eles nem tinham notado o erro e eu já estava com a apólice de seguro nas mãos. Mas não iria arriscar a ter o seguro cancelado por besteira.
Nesse mesmo dia que vou para o centro, já tinha que ir à tarde trocar o número da placa antiga, pelo número novo.
Aqui, a placa é para o dono do carro e não pertence ao carro, como no Brasil.
Cada vez que o carro troca de dono, troca de placa.
Lá fui eu para o Detran daqui.
Ainda bem, que pelo menos aqui não é bagunçado nem cheio. Pelo menos não estava no dia que fui.
Depois que dei entrada nos papéis, tive de esperar 1 hora para a nova placa entrar no sistema e assim eu poder receber a documentação nova, com o novo número, para no dia seguinte mandar fazer a placa.
Depois de 1 hora rodando pelas ruas de Wimbledon, voltei ao Detran e peguei a documentação.
1ª etapa concluída!
No dia seguinte, precisava mandar fazer a placa. O que na minha cabeça seria a coisa mais simples a ser feita. Mas para minha infelicidade, a pessoa que estava responsável naquele dia para fazer placa, devia ser analfabeta, pois encrencou com minha documentação.
Disse que precisava de um documento oficial atestando aquele número que eu estava dando era verdadeiro. Antigamente, se fazia placa de carro com muita facilidade, era só levar o número da placa que eles faziam, só que esperto tem em todo lugar, e aqui também! Começaram a clonar placas para escapar de multas. Chegavam com um número de uma placa, faziam, colocavam nos carros e saiam recebendo multas que outra pessoa teria que pagar. Depois disso passou a ser rigidamente controlado a confecção de novas placas.
Sabendo disso, levei TODOS os documentos que tinha em mãos do carro. Os documentos do seguro, ( mas isso ela disse que era de empresa privada, não servia), levei os documentos do Detran, ( mas ela disse que precisava do documento original e aquilo que eu tinha era protocolo)
eu me perguntava: como assim protocolo, num documento assinado, carimbado pelo órgão responsável por dar os números de placa?
e o documento original, aquele que andamos dentro do carro, só chega em 10 dias.
Entreguei meu passaporte, minha carteira de motorista ( que ela também encrencou, dizendo que não era internacional, mas não precisamos de carteira internacional, a nossa do Brasil serve aqui).
Mesmo com tudo em mãos, ela não aceitava, não queria fazer.
Minha sorte era que eu estava acompanhada de um nativo que ia explicando a situação para ela e mostrando os documentos. Mas conforme ela não aceitava, ele pediu para chamar o gerente.
Depois de muita insistência, ela foi chamar o gerente.
Quando ele olhou os documentos, quis saber quanto tempo que eu estava em Londres, quanto tempo eu permaneceria na Inglaterra e depois dessas perguntas básicas, autoriza a confecção da placa.
Ufa! Cansei!
Mas voltei para casa, feliz! com minhas placas nas mãos!
2ª etapa concluída!
No dia seguinte, fui na casa do antigo dono do carro, para ele colocar as novas placas.
Aqui quem coloca as placas no carro, são os próprios donos.
Então você tem que se virar em furar a placa, ajustar parafusos e colocar alinhado com o local.
Agora imagina se eu tivesse que fazer isso tudo sozinha?
Depois de quase 2 horas para fazer essas troca de placas, saímos finalmente para meu treino.
Confesso que estava insegura!
Primeira parada: posto de gasolina.
Não tem frentista, você se vira, aprende na marra e coloca seu combustível!
Foi o que fiz!
E o medo de errar? De deixar vazar gasolina para tudo que é canto! Minha mão ficou doendo de tanto que apertei aquele negócio. Segurei com toda força. Muita tensão!
Mas consegui direitinho. Não molhei nada, não fiz nenhuma besteira! Passei no primeiro teste de direção.
Lá vamos nós para o trânsito.
Agora sim, começaria minha "auto escola".
O antigo dono do carro, estava ao meu lado para dar as primeiras instruções, mas ele iria viajar naquele dia, então não poderia ficar muito tempo comigo, até eu me sentir segura.
Foi meia hora de treino. Passou voando e eu nem estava correndo!
Mas não tinha jeito! Na minha cabeça só passava o seguinte pensamento: " eu quero dirigir, não vou permitir que nada atrapalhe meu desejo!"
Então, me concentrei em tudo que ele estava me passando e ia corrigindo a direção.
Nossa tendência, é jogarmos o carro para esquerda, só que a esquerda pertence ao ciclistas e ônibus.
Não podemos entrar na bus lane ( faixa do ônibus), caso isso aconteça e venha um ônibus atrás, ele tira uma foto de nossa placa e recebemos uma multa.
Depois de 2 multas, perdemos o direito de dirigir.
As leis de direção são muito severas por aqui.
Mas eu estava indo bem! Fui me sentindo mais segura a cada quilômetro rodado.
E chegou a hora de deixá-lo em casa e seguir sozinha para a minha casa.
Olhei para meu irmão que estava me acompanhando e falei: "está pronto?" rimos e fomos embora.
eu estava pronta para meu primeiro teste completamente sozinha!
Que maravilha! que sensação gostosa de liberdade! Sensação de conquista!
Cheguei em casa me sentindo a rainha da cocada preta! Parecia que tinha passado no vestibular!
E passei mesmo! No vestibular da vida!
Assim que cheguei em casa, recebo uma ligação que tinha que retornar na casa do antigo dono do carro, pois o mesmo tinha esquecido algo dentro do carro e eu teria que levar.
Nem pensei 2 vezes. Chamei meu filho e lá vamos nós para o trânsito novamente!
Agora eu tinha outro co-piloto:
Fui e voltei sem problema nenhum. Parecia que já dirigia a muito tempo nesse trânsito ao contrário.
O mais interessante, é que automaticamente minha mente foi apagando os detalhes do trânsito no Brasil.
De repente, meu filho perguntou sobre os comandos no volante e eu não sabia mais dizer como era no Brasil.
Me assustei com minha capacidade de adaptação!
Toda insegurança foi embora!
Estou realmente pronta para o trânsito de Londres, mesmo que carro aqui seja só para fazer compras e viajar, pois não há necessidade de se pegar carro para as tarefas diárias.
Mas confesso, que depois que peguei o carro, não dá mais vontade de pegar ônibus.
É um vício!
Mas como todo vício, deverá ser combatido e não deverei abusar!
mas que ficarei sempre com o coração e a mente dividida entre pegar o carro ou ir de ônibus, isso eu não posso negar!
Um beijinho e até o próximo!
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