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sábado, 4 de agosto de 2012

Wimbledon! O sonho continua!

Ontem, fiquei tão cansada que nem consegui escrever as emoções vividas. Mas hoje, estava ansiosa para compartilhar com vocês, a maratona que enfrentamos e vencemos para vermos nossos "joguinhos" de tênis.
Para começar o dia, precisei ir ao centro da cidade buscar o contrato de locação do apartamento que iremos morar. E a minha idéia era sair de casa às 9:30h, no máximo, para poder aproveitar cada espaço de Wimbledon, que é enorme e também poder pegar os jogadores no aquecimento e quem sabe assim conseguir boas fotos e melhor ainda, conseguir tirar foto ao lado deles.
Mas não foi isso que aconteceu. Precisei correr ao centro, 1 hora para ir e outra para voltar. Cheguei em casa, às 10:15h, para pegar minha filha, deixar contrato e pegar o restante das coisas que não precisei levar comigo antes.
Bem, chegamos em Wimbledon por volta das 11:15h. Fila gigante, claro! Mas tudo bem, já era esperado. O interessante, é que pode entrar com todo tipo de comida, mas nada de bebida. Nem água pode entrar. Você passa por detector de metais e suas coisas por raio X, igual de aeroporto. Me senti viajando. E na realidade, eu estava viajando sim! Entrando no mundo do sonho!
Quando passamos por essa fila, estávamos dentro de Wimbledon. Não sabia para que lado ia! queria ver tudo, procurar as quadras de aquecimento, procurar jogadores passeando, procurar a quadra que ira assitir aos jogos. Lá é imenso!
Mas logo de cara, tinha um quadro com os jogos que aconteceriam em cada quadra.
Detalhe: antes de sair de casa, olhei na internet para tentar saber quais jogos que iria assistir e vi que tanto o jogo de semi final do Federer X Del Potro quanto Djokovic X Andy Murray iriam ser na quadra central. Achei isso estranho, pois meu ingresso era para assitir a uma das semi finais. Mas na hora não dei muito importancia, achei que era erro de jornalismo. Só que quando dei de cara com esse quadro:
percebi a gravidade da situação.
Realmente os jogos seriam na quadra central. Não teria semi final na Nº 1 Court, quadra de onde eu tinha ingresso. Me senti lesada, roubada! Não sabia o que fazer! Frustração total nesse momento!
Fui procurar uma informação! Quando achei um local de informação, vi  vários outros na mesma situação. Alguns brigando, reclamando e nada sendo resolvido. Naquela hora, precisei tomar uma decisão: ir atrás de maiores informações e tentar assitir ao jogo na quadra central ( o que me pareceu ser bem impossível) ou passear pelo complexo e assistir aos jogos programados na quadra que tinha ingresso? Confesso que foi uma decisão difícil. Me senti no Brasil, onde os direitos do cidadão são sempre deixados de lado. Foi uma falta de respeito total com o comprador!
Mas eu já estava lá. Já estava realizando um sonho, e ficar me aborrecendo, não ia ajudar em nada. Precisava fazer limonada do limão que me deram. E foi isso que fiz! Engoli a frustração e fui passear.
Olhamos tudo, procuramos e achamos as quadras de aquecimento.
E logo de cara, Serena Willians:
 Ela é tudo aquilo que aparece na TV e mais um pouco. Fiquei pensando no saque dela. Na força que ela tem. Detalhe das bolinhas voando. Adorei essa foto!
Mas continuando nosso passeio, escuto aqueles gritinhos característicos da russa Maria Sharapova.
Sim, era ela treinando na quadra do lado.

Ela também é tudo aquilo que aparece na Tv. Parece modelo e não tenista.










Eu estava procurando os tenistas masculinos também. Quem sabe Federer, Djoko, Murry, um dos espanhois. Mas o que achei mesmo foi o Tsonga.  
Não sou fã dele não. O acho meio estrela, temperamento difícil, mas estava lá, na minha frente, por que não fotografar! E querendo ou não, ele joga muito bem!
Mas já estava quase na hora do primeiro jogo começar e ainda não tínhamos comido nada.
Fui atrás de algo para nos alimentarmos, mas as filas estavam quilométricas. O jeito era me virar com sanduiche e refrigerante.
Comi e fomos procurar nossa quadra e lugar. Sim, lugar marcado. Nesse ponto, bem organizado com era de se esperar.
Nosso lugar era privilegiado. Sentamos no alto, na parte coberta, e isso é muito importante para o clima imprevisível de Londres.
Quando entramos a quadra ainda estava coberta e foi bem interessante assitir toda preparação para uma partida de alto nível. O cuidado que eles tem. Passam a mão em cada parte da grama, para ver umidade, tamanho, enfim, eles verificam tudo.

 Essa lona deve ser bem pesada, olhem a quantidade de homens para abri-la.










Meu coração estava na boca. Estava adorando cada minuto. Nem lembrava mais que não iria assitir a semi final masculina. Estar ali sentada já estava valendo o ingresso.
Começou o jogo de duplas femininas. Estados Unidos X Tchecoslováquia.
Torcemos para tchecas, claro. E elas estavam jogando muito melhor que a dupla america. Mereciam ganhar e ganharam.
Depois desse jogo, viria Sharapova contra outra russa. Era a semi final feminina.
Achei a Sharapova bem inconstante. E o saque dela, decididamente é o ponto fraco. Dava vontade de brigar com ela, como eu brigava com meu filho, quando ele errava o saque. Imperdoável perder saque. Dupla falta então...É para morrer de raiva!

Mas o que mais chamou a minha atenção foi os passinhos que ela dá para o fundo da quadra e a conversa que ela tem com a raquete, cada vez que vai sacar ou que a adversária sacava. A adversária tinha que esperar ela voltar da conversar com a amiguinha imaginária dela para poder sacar.
Quem assistiu ao vídeo do Djokovic imitando-a pode ter certeza que é igualzinho. Nessas horas eu só lembrava do vídeo. Os passinhos, o marca passo, a conversa com a raquete.
Falam das manias do Nadal, mas a Sharapova não fica atrás não. Para quem não assistiu ainda o vídeo do Djokovic imitando-a, eu recomendo. Muito doidinha essa lindinha do tênis!
Depois dessa partida, veio a semi final de duplas masculinas.
Era França contra a Espanha. Claro que torci pela Espanha. E ainda fizemos lobby com as inglesas que estavam na nossa frente e lado para torcerem também. Elas se tornaram nossas companheiras de torcida. Aprenderam até a falar: VAMOS ESPANHA! Tão bonitinhas falando em português!
Mas de vez em quando eu mandava um COME ON! para elas ficarem felizes também!

Decididamente, esse seria o melhor jogo.
Ver o Ferrer e Feliciano Lopez em campo, não tinha preço. Mas o pensamento era: Ai se o Nadal tivesse vindo. Seria ele que estaria aqui na minha frente.
Sou fã confessa do Nadal. Prefiro o jogo forte dele à elegância do Federer.
Não vou entrar no mérito que o jogo do Federer é uma arte para ser apreciada. Ele é o gentleman do tênis. Elegante do cabelo aos pés! Mas o jogo do Nadal é o jogo do Nadal. Sem comentários!

No início desse jogo, Tsonga estava dando aula e os espanhois apanhando. A França acertando ace direto. Sem chance para Espanha. Estava chato! O emocionante é ver troca de bola. Boas jogadas e não games vencidos de ace. Muito sem graça esssa França.
Mas a Espanha acordou no 2º set. E venceu.
Foi para o terceiro e ai pegou fogo. Jogo equilibrado. Um não quebrava o saque do outro.

Adorava ver o Ferrer conversando com Feliciano e depois andando de costa para voltar a rede. Muito fofinho! Parecia criança de tão pequeno que é. Tudo bem, ele não é pequeno, mas os outros tenista é que são grandes, então ele parece bem baixinho perto dos outros.
Com quase 3 horas de partida, o game já estava em 12 a 11 e não pareciam cansados e nem que iriam entregar de bandeja para o time adversário.



Nesse momento, meu marido liga e diz que já está me esperando.
Ele estava chegando de viagem e sem chave de casa para poder entrar.
O que fazer?
O jogo ou o marido? Sair sem ver o final ou deixar o marido esperar mais um pouquinho?
Dúvida cruel!
Mas eu pensei: Se fosse ao contrário, eu gostaria que ele me deixasse esperando mais não sei quanto tempo, por causa de um jogo que eu nem gosto, no dia que chego de viagem, cansada e doida para chegar em casa?
A resposta a essas perguntas me fez tomar a decisão:
" Vamos embora filha, seu pai já está cansado de nos esperar!"
Saio antes do final da partida!
No caminho até o portão ouço os gritos da torcida! Algum lance maravilhoso tinha acontecido. Vontade de voltar correndo para a arquibancada.
Mas eu tinha tomado uma decisão e não voltaria atrás.
Fomos embora!
Estava satisfeita! Tinha conseguido entrar e assistir a 3 partidas em Wimbledon.
No ano que vem tem o torneio de Wimbledon e ainda estarei em Londres.
Estava feliz e realizada.
Enquanto me dirigia para o  metrô, a frase que me veio na cabeça foi: " Não tenho tudo que amo e quero, mas amo muuuuuito tudo que tenho!"
Assim, entrei tranquila no metrô e voltei feliz para casa ao lado de minha filha e meu marido.
Outras oportunidades virão. Então para que me aborrecer, por não ter conseguido tudo que sonhei?
É só uma questão de tempo.
E tempo, é tudo que tenho aqui em Londres.
Um beijinho e até o próximo, onde irei contar minha primeira ida ao cinema!
Sim, fui ao cinema aqui em Londres e entendi tudinho!
Mas isso, eu conto depois.


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